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MONSUETO: A VOZ ESQUECIDA DO SAMBA QUE TRANSFORMOU DOR, TRABALHO E SILÊNCIO EM POESIA - Segunda parte (no final da página musicas de Monsueto Mentore Conti Mtb 0080415 SP foto Agência Brasil/ dominio públicoJaboticabal, 5 de maio de 2026A letra constrói um retrato de desgaste físico e emocional. O ritmo do samba acompanha esse cansaço, com uma cadência que sugere repetição — quase como o movimento contínuo de lavar roupas.Mas o que mais impressiona é a ausência de dramatização excessiva. Monsueto não exagera. Ele observa e traduz. Isso torna o impacto ainda maior.A música funciona como um documento social, mas também como poesia. A dor não é gritada; é sentida.“A Fonte Secou”: metáfora e existencialismo popularEm “A Fonte Secou”, Monsueto trabalha com uma linguagem mais metafórica, mas igualmente poderosa. A “fonte” pode ser interpretada de diversas formas: o amor que acabou, a esperança perdida, ou até mesmo a escassez material.Essa ambiguidade é uma das forças da canção. Ela permite múltiplas leituras, conectando-se com diferentes experiências do ouvinte.Musicalmente, a composição mantém a sobriedade característica de Monsueto. Não há exageros melódicos; a emoção surge da repetição e da progressão suave da música.A sensação é de esgotamento — não explosivo, mas silencioso. Algo que se perdeu sem alarde, mas com consequências profundas.Importância histórica: um elo essencialMonsueto não é apenas importante por suas músicas individuais, mas pelo papel que desempenha na evolução do samba.Ele representa:A valorização do cotidiano como tema centralA transição entre o samba tradicional e formas mais modernasA ampliação do olhar social dentro do gêneroA consolidação de uma linguagem mais direta e humanaAlém disso, suas composições foram gravadas por diversos intérpretes, ampliando seu alcance e influência. Um artista ainda a ser redescobertoApesar de sua relevância, Monsueto não ocupa o mesmo espaço de nomes mais populares do samba. Isso não diminui sua importância — pelo contrário, reforça a necessidade de revisitar sua obra com mais atenção.Seu trabalho oferece uma visão do Brasil que muitas vezes permanece à margem das narrativas oficiais. É um samba que escuta antes de falar.ConclusãoMonsueto Campos de Menezes foi mais do que um compositor talentoso: foi um cronista do cotidiano, um observador sensível das contradições sociais e um mestre da simplicidade expressiva.Em canções como “Lamento de Lavadeira” e “A Fonte Secou”, ele demonstra que o samba pode ser, ao mesmo tempo, música popular e reflexão profunda.Seu legado não está apenas nas melodias que deixou, mas na forma como ensinou a olhar — e a ouvir — o Brasil.E talvez seja justamente isso que torna sua obra tão atual: Monsueto nunca escreveu apenas sobre o seu tempo. Ele escreveu sobre o que permanece.
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