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25 DE JULHO DE 1943: O DIA EM QUE O FASCISMO
COMEÇOU A RUÍR NA ITÁLIA (Primeira Parte)
Depois de setembro daquele ano, até 1945, o inferno estaria
a dois metros de profundidade no território do centro-norte da
Itália
Mentore Conti – MTB 0080415/SP foto domínio publício
Jaboticabal, 16 de julho de 2026
A história da Itália no
século XX foi
marcada por
momentos de
grandeza, sofrimento
e profundas
divisões. Entre eles,
poucos tiveram
impacto tão decisivo
quanto a queda de
Benito Mussolini em
25 de julho de 1943, data em que o regime fascista começou
a desmoronar após mais de duas décadas no poder.
Naquela noite, o Grande Conselho Fascista, órgão máximo
do próprio regime, aprovou uma moção que retirava o apoio
político ao ditador. Poucas horas depois, o rei Vítor Emanuel
III recebeu Mussolini, comunicou sua destituição como chefe
de governo e determinou sua prisão. O marechal Pietro
Badoglio assumiu o comando do país, anunciando que a
guerra continuaria ao lado da Alemanha, enquanto buscava
uma saída para o conflito.
A notícia espalhou-se rapidamente pelas cidades italianas.
Em Roma, Milão, Turim, Nápoles, Bolonha e diversas outras
localidades, milhares de pessoas ocuparam as ruas.
Símbolos fascistas foram derrubados, retratos de Mussolini
desapareceram das repartições públicas e muitos italianos
comemoraram o fim de um regime que havia restringido as
liberdades civis, perseguido opositores e conduzido o país a
uma guerra
desastrosa.
Embora o fascismo
ainda não tivesse
sido definitivamente
derrotado, a
destituição de
Mussolini
representou o início
de uma nova fase para a Itália.
O armistício com os Aliados
Após semanas de negociações secretas, o governo de
Badoglio assinou um armistício com os Aliados em 3 de
setembro de 1943. O acordo foi tornado público em 8 de
setembro, desencadeando uma das maiores crises militares
da história italiana.
Sem ordens claras e diante
do rápido avanço das tropas
alemãs, milhares de unidades
do Exército Real Italiano
ficaram desorganizadas.
Muitos soldados foram
desarmados pelos antigos
aliados alemães, enquanto
outros conseguiram unir-se
às forças aliadas ou aos
grupos de resistência.
A partir daquele momento, a
Itália deixou de ser apenas
um campo de batalha entre
potências estrangeiras e passou a viver uma verdadeira
guerra entre italianos.
A República Social Italiana e a guerra civil.
Em 12 de setembro de 1943, comandos alemães libertaram
Benito Mussolini da prisão no maciço do Gran Sasso, em
uma operação cuidadosamente planejada por tropas
especiais alemãs.
Levado para o norte da Itália, sob proteção direta de Adolf
Hitler, Mussolini fundou a chamada República Social Italiana,
conhecida como República de Saló, um governo subordinado
à Alemanha Nazista e instalado às margens do Lago de
Garda.
Com isso, a Itália passou a viver uma dolorosa guerra civil.
De um lado estavam as forças da República de Saló,
apoiadas pelo Exército Alemão. Do outro, o Reino da Itália,
agora aliado dos anglo-americanos, além dos grupos da
resistência italiana, conhecidos como partigiani (partisans).
Esses grupos de resistência reuniam militares, civis,
estudantes, operários, religiosos e cidadãos comuns que
organizaram ações de sabotagem, coleta de informações,
resgate de perseguidos políticos e combate direto às tropas
nazifascistas. A atuação dos partigiani tornou-se um dos
pilares da libertação
do país e
permanece até hoje
como símbolo da
luta pela
democracia.
O destino dos
soldados italianos
Entre as páginas
menos conhecidas
desse período está
o drama vivido pelos militares italianos capturados pelos
alemães após o armistício. Os soldados que recusavam
prestar juramento de fidelidade à República de Saló recebiam
uma escolha dramática: aderir ao novo regime fascista e
voltar a combater ao lado da Alemanha ou permanecer fiéis
ao Reino da Itália, aceitando a prisão.
Centenas de milhares recusaram
colaborar.
Por determinação alemã, esses
militares passaram a ser classificados
como Internados Militares Italianos
(IMI), categoria criada justamente para
negar-lhes a proteção prevista pelas
convenções internacionais destinadas
aos prisioneiros de guerra.
Como consequência, cerca de 650 mil
militares italianos foram deportados
para campos de prisioneiros e campos
de trabalho espalhados pela Alemanha
e pelos territórios ocupados, onde
enfrentaram fome, frio, doenças,
trabalhos forçados e inúmeras privações. Entre eles
encontrava-se Francesco Conti, tio do autor deste artigo.
Após recusar aderir à República de Saló, Francesco Conti foi
capturado pelos alemães e deportado para a Alemanha
Nazista, permanecendo durante parte de sua prisão na
região de Düsseldorf, em instalações ligadas ao complexo de
Birkenau, onde milhares de prisioneiros de diversas
nacionalidades sofreram sob o sistema concentracionário
nazista.
Sua trajetória representa a de inúmeros soldados italianos
que, mesmo diante da possibilidade de recuperar a liberdade
mediante adesão ao regime fascista restaurado por Hitler,
preferiram manter sua posição, pagando um preço
extremamente elevado por essa decisão.
(Continua)
LA STORIA
Mentore Conti é Professor de História e
advogado também
(continue lendo após o anúncio)
Cidade de Saló