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POESIA, ROCK E MIMEÓGRAFO: A HISTÓRIA DO
GRUPO LÃ DE VIDRO E DA GUERRILHA LITERÁRIA
DE JABOTICABAL (Primeira parte)
Grupo musical surgiu em meio à efervescência cultural
da década de 1980 e tornou-se uma das expressões
artísticas da chamada Guerrilha Literária.
Mentore Conti Mtb 0080415 SP fotos Arquivo de Luís
Cláudio de Paula Rodrigues (ouça uma entrevista no
final da segunda parte)
Jaboticabal, 17 de junho de 2026
Jaboticabal viveu,
durante os primeiros
anos da década de
1980, um período de
intensa
movimentação
cultural
protagonizado por
jovens escritores,
músicos, artistas
gráficos e
estudantes que buscavam criar espaços alternativos
para a produção artística local. Entre as iniciativas
surgidas naquele contexto estava o Grupo Lã de Vidro,
conjunto musical ligado à chamada Guerrilha Literária,
movimento independente que marcou uma geração e
deixou registros importantes na história cultural do
município, movimento este que
mencionamos anteriormente.
Embora pouco conhecido pelas
gerações mais recentes, o grupo
integrou um momento singular da
vida cultural jaboticabalense,
quando a criatividade encontrava
abrigo em jornais mimeografados,
encontros informais, apresentações
musicais e projetos coletivos
produzidos à margem dos circuitos
culturais tradicionais.
O Conjunto Lã de Vidro foi o grupo musical que deu voz
à Guerrilha Literária de Jaboticabal nos anos 1980, de
modo mais incisivo. Formado por jovens artistas e
escritores, o conjunto musical tornou-se uma das
principais expressões culturais de uma geração que
buscava criar espaços alternativos para a arte no
interior paulista
Muito antes das redes sociais, das
plataformas digitais e dos meios
instantâneos de divulgação cultural,
um grupo de jovens
jaboticabalenses decidiu construir
seus próprios canais de expressão
artística. Em meio ao ambiente de
transformação política e cultural que
marcou o início da década de 1980,
nasceu o Grupo Lã de Vidro,
conjunto musical ligado à Guerrilha
Literária, movimento cultural
independente que se tornou
referência na história artística de Jaboticabal.
Entre os fundadores do grupo estavam Luiz Cláudio de
Paula Rodrigues, músico profissional e bancário (hoje
aposentado), Mentore Conti, hoje advogado e jornalista
e Laudo Ferreira Júnior, que seguiu carreira como
desenhista, ilustrador e cartunista, que, décadas depois,
Laudo seguiria carreira artística na capital paulista,
reconhecido nacionalmente com o nome artístico Laudo
Ferreira ou Laudo. Naquele momento, porém, todos
compartilhavam o mesmo ideal: produzir arte de forma
livre, independente e conectada às inquietações da
geração a que pertenciam.
A arte como forma de resistência cultural:
O Brasil vivia os últimos anos do regime militar e
experimentava os primeiros sinais da abertura
democrática. Em diversas cidades do país surgiam
grupos independentes interessados em literatura,
música, teatro e artes visuais. Em Jaboticabal, esse
espírito encontrou expressão na chamada Guerrilha
Literária (nome que demos ao grupo).
Mais do que um grupo organizado
formalmente, a Guerrilha Literária
era um movimento de jovens
escritores, poetas, músicos,
desenhistas e estudantes que
acreditavam na cultura como
instrumento de transformação social
e intelectual. O objetivo era romper o
isolamento cultural típico das
cidades do interior e criar espaços
para a circulação de ideias, textos e
manifestações artísticas.
Desse ambiente nasceu o jornal mimeografado Espaço,
publicação alternativa produzida artesanalmente e
distribuída em escolas, bibliotecas, faculdades e pontos
de encontro da juventude local. O periódico tornou-se,
junto com o Lã de Vidro, o principal veículo de
divulgação das atividades do grupo, reunindo poemas,
contos, crônicas, ilustrações, artigos e informações
sobre eventos culturais.
O surgimento do Lã de Vidro:
Foi dentro desse contexto que surgiu o Grupo Lã de
Vidro. A proposta da banda estava intimamente ligada
ao espírito da Guerrilha Literária. Música e literatura
caminhavam juntas, compartilhando os mesmos
autores, referências e inquietações.
Os integrantes buscavam inspiração no rock brasileiro
que começava a ganhar força naquele período, na
MPB, na poesia marginal e nos movimentos culturais
alternativos que floresciam em diversas regiões do país.
Mais do que reproduzir tendências, procuravam criar
uma linguagem própria, capaz de dialogar com a
realidade de uma juventude que desejava participar
ativamente da vida cultural da cidade.
continua:
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