CRONICA E ARTE CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com.br Rua São João, 869, 14882-010 Jaboticabal SP
POESIA, ROCK E MIMEÓGRAFO: A HISTÓRIA DO GRUPO LÃ DE VIDRO E DA GUERRILHA LITERÁRIA DE JABOTICABAL (Primeira parte) Grupo musical surgiu em meio à efervescência cultural da década de 1980 e tornou-se uma das expressões artísticas da chamada Guerrilha Literária.  Mentore Conti Mtb 0080415 SP fotos Arquivo de Luís Cláudio de Paula Rodrigues (ouça uma entrevista no final da segunda parte) Jaboticabal, 17 de junho de 2026 Jaboticabal viveu, durante os primeiros anos da década de 1980, um período de intensa movimentação cultural protagonizado por jovens escritores, músicos, artistas gráficos e estudantes que buscavam criar espaços alternativos para a produção artística local. Entre as iniciativas surgidas naquele contexto estava o Grupo Lã de Vidro, conjunto musical ligado à chamada Guerrilha Literária, movimento independente que marcou uma geração e deixou registros importantes na história cultural do município, movimento este que mencionamos anteriormente. Embora pouco conhecido pelas gerações mais recentes, o grupo integrou um momento singular da vida cultural jaboticabalense, quando a criatividade encontrava abrigo em jornais mimeografados, encontros informais, apresentações musicais e projetos coletivos produzidos à margem dos circuitos culturais tradicionais. O Conjunto Lã de Vidro foi o grupo musical que deu voz à Guerrilha Literária de Jaboticabal nos anos 1980, de modo mais incisivo. Formado por jovens artistas e escritores, o conjunto musical tornou-se uma das principais expressões culturais de uma geração que buscava criar espaços alternativos para a arte no interior paulista Muito antes das redes sociais, das plataformas digitais e dos meios instantâneos de divulgação cultural, um grupo de jovens jaboticabalenses decidiu construir seus próprios canais de expressão artística. Em meio ao ambiente de transformação política e cultural que marcou o início da década de 1980, nasceu o Grupo Lã de Vidro, conjunto musical ligado à Guerrilha Literária, movimento cultural independente que se tornou referência na história artística de Jaboticabal. Entre os fundadores do grupo estavam Luiz Cláudio de Paula Rodrigues, músico profissional e bancário (hoje aposentado), Mentore Conti, hoje advogado e jornalista e Laudo Ferreira Júnior, que seguiu carreira como desenhista, ilustrador e cartunista, que, décadas depois, Laudo seguiria carreira artística na capital paulista, reconhecido nacionalmente com o nome artístico Laudo Ferreira ou Laudo. Naquele momento, porém, todos compartilhavam o mesmo ideal: produzir arte de forma livre, independente e conectada às inquietações da geração a que pertenciam. A arte como forma de resistência cultural: O Brasil vivia os últimos anos do regime militar e experimentava os primeiros sinais da abertura democrática. Em diversas cidades do país surgiam grupos independentes interessados em literatura, música, teatro e artes visuais. Em Jaboticabal, esse espírito encontrou expressão na chamada Guerrilha Literária (nome que demos ao grupo). Mais do que um grupo organizado formalmente, a Guerrilha Literária era um movimento de jovens escritores, poetas, músicos, desenhistas e estudantes que acreditavam na cultura como instrumento de transformação social e intelectual. O objetivo era romper o isolamento cultural típico das cidades do interior e criar espaços para a circulação de ideias, textos e manifestações artísticas. Desse ambiente nasceu o jornal mimeografado Espaço, publicação alternativa produzida artesanalmente e distribuída em escolas, bibliotecas, faculdades e pontos de encontro da juventude local. O periódico tornou-se, junto com o Lã de Vidro, o principal veículo de divulgação das atividades do grupo, reunindo poemas, contos, crônicas, ilustrações, artigos e informações sobre eventos culturais. O surgimento do Lã de Vidro: Foi dentro desse contexto que surgiu o Grupo Lã de Vidro. A proposta da banda estava intimamente ligada ao espírito da Guerrilha Literária. Música e literatura caminhavam juntas, compartilhando os mesmos autores, referências e inquietações. Os integrantes buscavam inspiração no rock brasileiro que começava a ganhar força naquele período, na MPB, na poesia marginal e nos movimentos culturais alternativos que floresciam em diversas regiões do país. Mais do que reproduzir tendências, procuravam criar uma linguagem própria, capaz de dialogar com a realidade de uma juventude que desejava participar ativamente da vida cultural da cidade. continua:
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