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CHIQUINHA GONZAGA, FRANCISCO ALVES E
A FORMAÇÃO DA MÚSICA POPULAR
BRASILEIRA primeira parte (no final link para a
segunda parte
Mentore Conti Mtb 0080415 SP foto Domínio
Público
Jaboticabal, 31 de março de 2026
A história da música
popular brasileira não
pode ser
compreendida sem
dois nomes
fundamentais:
Chiquinha Gonzaga e
Francisco Alves.
Embora tenham atuado em épocas diferentes,
ambos foram decisivos para consolidar a
identidade musical do país.
Chiquinha Gonzaga foi a pioneira que ajudou a
estruturar a música popular urbana no final do
século XIX, criando gêneros e rompendo barreiras
sociais e culturais. Já Francisco Alves, conhecido
como “Rei da Voz”, transformou essa música em
fenômeno nacional nas décadas de 1920 e 1930,
gravando sucessos históricos, lançando
compositores e interpretando diversos estilos
musicais no rádio e no disco.
Entre a Pioneira e o Rei da Voz
Chiquinha Gonzaga, Francisco Alves e a
construção da música popular brasileira
A música popular brasileira nasceu de um
processo histórico complexo, marcado pela
mistura de influências culturais e pela ação de
artistas que, em diferentes momentos, moldaram
sua identidade. Entre esses personagens, dois se
destacam de forma singular: Chiquinha Gonzaga
e Francisco Alves.
A trajetória de
ambos representa
momentos
diferentes, porém
complementares, da
formação da música brasileira. Chiquinha
Gonzaga pertence ao período em que a música
popular começa a adquirir identidade própria no
país. Francisco Alves surge décadas depois,
quando essa música já começa a se expandir
através do rádio, dos discos e da indústria
cultural.
Chiquinha Gonzaga: a mulher que abriu caminho
para a música
popular
Nascida no Rio
de Janeiro em
1847, Chiquinha
Gonzaga viveu
em uma
sociedade ainda
profundamente
marcada por padrões patriarcais. A presença
feminina no meio musical profissional era
praticamente inexistente. Mesmo assim, ela
tornou-se a primeira maestrina do Brasil, além de
uma compositora extremamente produtiva. Sua
atuação foi revolucionária porque aproximou a
música erudita, tocada nos salões da elite, das
manifestações populares que surgiam nas ruas
do Rio de Janeiro.
Esse encontro de linguagens ajudou a moldar a
música urbana brasileira.
Chiquinha Gonzaga foi também uma das
primeiras pianistas a participar do ambiente dos
chorões, músicos que criavam improvisações
instrumentais e desenvolviam o choro, gênero
que posteriormente seria levado a um nível
extraordinário por artistas como Pixinguinha. Sua
obra mais famosa, “Ó Abre Alas”, composta em
1899, tornou-se a primeira grande marchinha
carnavalesca do país. A música inaugurou uma
tradição que marcaria profundamente o carnaval
brasileiro nas décadas
seguintes.
Mas sua atuação
ultrapassou o campo
artístico. Chiquinha
Gonzaga também
participou ativamente do
movimento abolicionista e
ajudou a estruturar a luta
pelos direitos autorais no
Brasil. Foi uma das responsáveis pela criação da
Sociedade Brasileira de Autores Teatrais,
entidade destinada a proteger compositores e
dramaturgos.
Por tudo isso, Chiquinha Gonzaga é
frequentemente considerada uma das fundadoras
da música popular brasileira, não apenas pelo
volume de sua obra, mas pelo impacto cultural de
sua atuação.
Francisco Alves: o intérprete que levou a música
ao país inteiro
Se Chiquinha Gonzaga lançou as bases da
música popular brasileira, Francisco Alves foi o
grande intérprete que ajudou a difundi-la em
escala nacional. Nascido no Rio de Janeiro em
1898, Francisco Alves surgiu em um momento de
transformação tecnológica da cultura musical. O
surgimento do disco e a expansão do rádio
permitiram que a música alcançasse públicos
cada vez maiores.
Com voz poderosa e interpretação elegante, ele
tornou-se o cantor mais popular do Brasil nas
décadas de 1920 e 1930. Foi nessa época que
recebeu do locutor Cesar Ladeira o apelido que o
acompanharia para sempre: “Rei da Voz”.
Francisco Alves possuía um repertório
extremamente variado. Cantou samba,
marchinhas de carnaval, modinhas, canções
românticas, valsas e outros estilos populares,
demonstrando versatilidade artística e grande
capacidade interpretativa.
Mais do que intérprete, ele foi também um
importante divulgador de compositores e
sambistas, gravando músicas de diversos autores
e ajudando a lançar nomes que se tornariam
fundamentais na história da música brasileira.
Entre esses compositores estavam artistas como
Noel Rosa e Ary Barroso.
Além do disco, o rádio teve papel central em sua
carreira. Francisco Alves participou do programa
“Quando os Ponteiros se Encontram”, transmitido
pela tradicional Rádio Nacional. No programa,
aparecia diante do público com seu traje elegante
e postura de grande estrela da música brasileira.
Ele permaneceu ligado à atração até sua morte,
em 1952, quando sofreu um acidente
automobilístico na Via Dutra, fato que causou
enorme comoção no país. (continua na segunda
parte)
Para facilitar a leitura use o celulr na hotizontal
No final da segunda parte
do artigo do artigo duas
músicas uma de
Chiquinha Gonzaga e
outra de Francisco Alves