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CONTRAFAÇÃO EM CAMPINAS: PRODUTO FALSO
LEVA POLÍCIA A FÁBRICA CLANDESTINA DE
COSMÉTICOS
Mentore Conti Mtb 0080415 SP
Fotos: Polícia Civil
Jaboticabal, 3 de setembro de 2026
Uma investigação
iniciada depois que
uma empresa
identificou na internet
a venda de um
produto falsificado
levou a Polícia Civil
até uma fábrica clandestina de cosméticos instalada dentro
de uma residência no Jardim do Lago, em Campinas. Uma
mulher foi presa em flagrante na terça-feira (1º), durante a
operação que revelou uma estrutura improvisada para
fabricação, embalagem e comercialização dos produtos.
A denúncia surgiu depois que o fabricante de um dos
produtos encontrou na internet uma mercadoria que não
correspondia ao que era comercializado oficialmente pela
empresa. Como a companhia não realiza vendas por
plataformas de
comércio eletrônico, a
situação levantou
suspeitas.
Para confirmar a
possível fraude, a
própria empresa
comprou um dos
produtos anunciados
e encaminhou o
material para análise.
Segundo a
investigação, os
exames realizados
por químicos
apontaram diferenças tanto na fórmula do cosmético
quanto na embalagem.
Diante da confirmação, a empresa registrou boletim de
ocorrência e procurou a 1ª Delegacia de Investigações
Gerais (DIG). A partir das informações disponíveis no perfil
utilizado para a venda, a Polícia Civil
empregou ferramentas de
inteligência para identificar a
suspeita e localizar endereços
relacionados à atividade.
Ao todo, foram identificados cinco
locais, entre eles um salão de beleza
localizado na capital paulista. Com os elementos reunidos
durante a investigação, a Justiça autorizou mandados de
busca e apreensão.
UMA FÁBRICA DENTRO DE CASA
Durante o cumprimento das ordens judiciais, os policiais
encontraram uma verdadeira linha de produção
clandestina funcionando dentro da residência da suspeita.
O processo era distribuído por diferentes cômodos do
imóvel. No quintal, matérias-primas consideradas baratas
eram misturadas com ácidos e álcool de cereais dentro de
uma tigela, utilizando uma batedeira doméstica.
Na cozinha, a mistura recebia essências e posteriormente
era colocada nos frascos. Já na sala, os recipientes
recebiam rótulos de diferentes marcas e eram preparados
para serem enviados pelos Correios.
A precariedade e a falta de higiene chamaram a atenção
dos investigadores. Segundo o delegado Marcel Fehr, um
dos equipamentos utilizados para dosar os produtos
estava ao lado de um garfo usado para fritar bife.
A mulher, segundo a polícia, não possuía formação técnica
para a atividade e também não tinha alvará de
funcionamento.
O QUE É CONTRAFAÇÃO?
O caso também chama atenção para um termo que
aparece frequentemente em investigações envolvendo
produtos falsificados: contrafação.
Contrafação é a reprodução ou falsificação de um produto,
marca, embalagem ou outro elemento protegido, feita de
maneira a apresentar ao consumidor algo como se fosse
legítimo ou original. No uso cotidiano, a prática é muitas
vezes chamada simplesmente de pirataria.
No episódio investigado em Campinas, a suspeita não
estaria apenas utilizando uma embalagem semelhante à
de produtos verdadeiros. Segundo a investigação, a
análise apontou diferenças também na composição do
cosmético. Ou seja, tratava-se de uma mercadoria
apresentada com características associadas a marcas
existentes, mas produzida clandestinamente.
Além de representar uma violação às relações de consumo
e aos direitos relacionados às marcas, a falsificação de
cosméticos pode assumir uma dimensão ainda mais grave
quando envolve produtos destinados ao uso diretamente
sobre o corpo.
A legislação penal brasileira inclui os cosméticos entre os
produtos cuja falsificação, adulteração ou comercialização
em determinadas condições pode configurar crime contra a
saúde pública.
SUSPEITA JÁ HAVIA SIDO PRESA
A mulher foi presa em flagrante durante a operação por
crimes relacionados à saúde pública, falsificação de
cosméticos e infrações contra as relações de consumo.
De acordo com a Polícia Civil, ela já havia sido presa
anteriormente por atividade semelhante. A última prisão
teria ocorrido em 2024.
A investigação aponta ainda que a produção clandestina
vinha sendo realizada havia mais de um ano. Segundo o
delegado responsável pelo caso, a suspeita não declarou
outra profissão ou fonte de renda considerada lícita.
Agora, celulares e computadores apreendidos durante a
operação deverão ser analisados pelos investigadores. O
objetivo é identificar pessoas que eventualmente
compravam os produtos, possíveis clientes e outros
envolvidos na atividade.
VENDAS FORAM BLOQUEADAS
Antes mesmo da operação policial, as plataformas de
comércio eletrônico haviam sido comunicadas sobre a
situação e bloquearam as vendas relacionadas à suspeita.
A descoberta demonstra como uma simples oferta
encontrada na internet pode ser o ponto de partida para
uma investigação capaz de revelar uma estrutura muito
maior.
Neste caso, a desconfiança de uma empresa sobre um
único produto anunciado virtualmente terminou levando os
investigadores a uma residência onde matérias-primas,
equipamentos domésticos, frascos e rótulos eram
utilizados para produzir e preparar cosméticos destinados
à comercialização.
O que parecia ser apenas mais uma oferta na internet
acabou revelando, segundo a Polícia Civil, uma cadeia
clandestina de produção que funcionava longe das
condições exigidas para a fabricação regular de
cosméticos.