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EL NIÑO MUDA O PADRÃO CLIMÁTICO E PODE TORNAR
O SUDESTE LOCAL DE TEMPESTADES INTENSAS E
VENDAVAIS NOS PRÓXIMOS MESES
Mentore Conti – MTB 0080415/SP
Fotos: INMET, Ribeirão Preto Defesa Civil e redes sociais
Jaboticabal, 25 de julho de 2026
Depois de um primeiro
semestre marcado por
sucessivas incursões de
ar polar, o clima sobre o
Brasil entrou em uma
nova fase.
Meteorologistas apontam
que a consolidação do
fenômeno El Niño no Oceano Pacífico está alterando a
circulação atmosférica em grande parte da América do Sul,
inaugurando um período de maior instabilidade e aumento
dos extremos climáticos.
Mais do que prever chuva ou calor para um determinado dia,
os especialistas observam que o padrão climático está
mudando. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), em
conjunto com o INPE, ANA, CEMADEN, SGB e Defesa Civil
Nacional, passou a divulgar boletins específicos sobre o
monitoramento do El Niño, destacando que há elevada
probabilidade de o fenômeno persistir até 2027.
No Sudeste, essa
mudança significa uma
atmosfera mais
aquecida e com maior
disponibilidade de
umidade em
determinados períodos.
Quando massas de ar
frio conseguirem
avançar pela região, o
contraste térmico
poderá favorecer
tempestades mais
intensas,
acompanhadas de
ventos fortes, granizo e
elevados volumes de chuva em curto intervalo de tempo. Ao
mesmo tempo, poderão ocorrer períodos prolongados de
calor acima da média entre um episódio de instabilidade e
outro.
O Estado de São Paulo deverá sentir esses efeitos de forma
significativa. Regiões como Ribeirão
Preto, Franca, Campinas, Sorocaba,
Vale do Paraíba e a Grande São
Paulo poderão alternar dias de calor
intenso com a passagem de frentes
frias capazes de provocar temporais
localizados. Não significa que
choverá continuamente, mas sim
que os eventos de chuva tendem a
ocorrer com maior intensidade
quando as condições forem
favoráveis.
Segundo a MetSul Meteorologia, a
atmosfera já passou a responder ao
aquecimento anormal das águas do Pacífico, rompendo o
padrão predominante durante o outono e o início do inverno.
A empresa destaca que os extremos observados nas últimas
semanas representam apenas uma amostra do
comportamento esperado para o restante de 2026.
Os órgãos oficiais, entretanto, ressaltam que os impactos do
El Niño não ocorrem de maneira uniforme em todo o
território nacional. Embora exista uma tendência climática,
fatores regionais e sistemas meteorológicos de menor
escala continuam influenciando o comportamento da
atmosfera diariamente. Por isso, uma tendência de estação
não deve ser confundida com previsão do tempo para uma
cidade específica.
Outra característica esperada para o Sudeste é o aumento
da frequência de ondas de calor durante o segundo
semestre. Temperaturas persistentemente acima da média
elevam a evaporação, aumentam o desconforto térmico e
favorecem a formação de tempestades quando há ingresso
de umidade e aproximação de sistemas frontais. Esse ciclo
de calor seguido por temporais é típico de episódios de El
Niño mais intensos.
Para a agricultura paulista, o cenário exige
acompanhamento constante. O excesso de calor pode
acelerar o desenvolvimento de algumas culturas, enquanto
chuvas concentradas podem dificultar colheitas, provocar
erosão e comprometer estradas rurais. Também cresce a
preocupação com os impactos sobre reservatórios, sistemas
de drenagem urbana e infraestrutura elétrica durante
eventos meteorológicos severos.
Especialistas ressaltam ainda que as mudanças climáticas
globais tendem a potencializar alguns efeitos naturais do El
Niño. Assim, embora o fenômeno seja conhecido há
décadas, sua interação com um planeta mais aquecido pode
resultar em eventos extremos de maior intensidade do que
aqueles observados em episódios passados.
Dessa forma, o principal desafio para o Sudeste brasileiro
nos próximos meses não será apenas conviver com
temperaturas elevadas, mas adaptar-se a uma atmosfera
mais energética, capaz de produzir mudanças bruscas nas
condições do tempo e ampliar a ocorrência de eventos
meteorológicos extremos. O monitoramento contínuo
realizado pelos órgãos oficiais e pelos serviços
especializados será fundamental para reduzir riscos e
orientar a população diante de um período que promete ser
marcado por grande variabilidade climática.
Matéria com dados do INMET, MetSul Meteorologia e
arquivos
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