CRONICA E ARTE CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com.br Rua São João, 869, 14882-010 Jaboticabal SP
EL NIÑO MUDA O PADRÃO CLIMÁTICO E PODE TORNAR O SUDESTE LOCAL DE TEMPESTADES INTENSAS E VENDAVAIS NOS PRÓXIMOS MESES Mentore Conti – MTB 0080415/SP Fotos: INMET, Ribeirão Preto Defesa Civil e redes sociais Jaboticabal, 25 de julho de 2026 Depois de um primeiro semestre marcado por sucessivas incursões de ar polar, o clima sobre o Brasil entrou em uma nova fase. Meteorologistas apontam que a consolidação do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico está alterando a circulação atmosférica em grande parte da América do Sul, inaugurando um período de maior instabilidade e aumento dos extremos climáticos. Mais do que prever chuva ou calor para um determinado dia, os especialistas observam que o padrão climático está mudando. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), em conjunto com o INPE, ANA, CEMADEN, SGB e Defesa Civil Nacional, passou a divulgar boletins específicos sobre o monitoramento do El Niño, destacando que há elevada probabilidade de o fenômeno persistir até 2027. No Sudeste, essa mudança significa uma atmosfera mais aquecida e com maior disponibilidade de umidade em determinados períodos. Quando massas de ar frio conseguirem avançar pela região, o contraste térmico poderá favorecer tempestades mais intensas, acompanhadas de ventos fortes, granizo e elevados volumes de chuva em curto intervalo de tempo. Ao mesmo tempo, poderão ocorrer períodos prolongados de calor acima da média entre um episódio de instabilidade e outro. O Estado de São Paulo deverá sentir esses efeitos de forma significativa. Regiões como Ribeirão Preto, Franca, Campinas, Sorocaba, Vale do Paraíba e a Grande São Paulo poderão alternar dias de calor intenso com a passagem de frentes frias capazes de provocar temporais localizados. Não significa que choverá continuamente, mas sim que os eventos de chuva tendem a ocorrer com maior intensidade quando as condições forem favoráveis. Segundo a MetSul Meteorologia, a atmosfera já passou a responder ao aquecimento anormal das águas do Pacífico, rompendo o padrão predominante durante o outono e o início do inverno. A empresa destaca que os extremos observados nas últimas semanas representam apenas uma amostra do comportamento esperado para o restante de 2026. Os órgãos oficiais, entretanto, ressaltam que os impactos do El Niño não ocorrem de maneira uniforme em todo o território nacional. Embora exista uma tendência climática, fatores regionais e sistemas meteorológicos de menor escala continuam influenciando o comportamento da atmosfera diariamente. Por isso, uma tendência de estação não deve ser confundida com previsão do tempo para uma cidade específica. Outra característica esperada para o Sudeste é o aumento da frequência de ondas de calor durante o segundo semestre. Temperaturas persistentemente acima da média elevam a evaporação, aumentam o desconforto térmico e favorecem a formação de tempestades quando há ingresso de umidade e aproximação de sistemas frontais. Esse ciclo de calor seguido por temporais é típico de episódios de El Niño mais intensos. Para a agricultura paulista, o cenário exige acompanhamento constante. O excesso de calor pode acelerar o desenvolvimento de algumas culturas, enquanto chuvas concentradas podem dificultar colheitas, provocar erosão e comprometer estradas rurais. Também cresce a preocupação com os impactos sobre reservatórios, sistemas de drenagem urbana e infraestrutura elétrica durante eventos meteorológicos severos. Especialistas ressaltam ainda que as mudanças climáticas globais tendem a potencializar alguns efeitos naturais do El Niño. Assim, embora o fenômeno seja conhecido há décadas, sua interação com um planeta mais aquecido pode resultar em eventos extremos de maior intensidade do que aqueles observados em episódios passados. Dessa forma, o principal desafio para o Sudeste brasileiro nos próximos meses não será apenas conviver com temperaturas elevadas, mas adaptar-se a uma atmosfera mais energética, capaz de produzir mudanças bruscas nas condições do tempo e ampliar a ocorrência de eventos meteorológicos extremos. O monitoramento contínuo realizado pelos órgãos oficiais e pelos serviços especializados será fundamental para reduzir riscos e orientar a população diante de um período que promete ser marcado por grande variabilidade climática. Matéria com dados do INMET, MetSul Meteorologia e arquivos
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