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POSTOS LIGADOS A EMPRESÁRIO INVESTIGADO
POR CONEXÃO COM O PCC SÃO FECHADOS EM
RIBEIRÃO PRETO E FRANCA
Mentore Conti MTB 0080415 SP
Fotos: Agência Brasil
Jaboticabal, 21 de agosto de 2026
Três postos de
combustíveis foram
fechados nesta quinta-
feira (20) durante uma
fiscalização da
Secretaria da Fazenda e
Planejamento do Estado
de São Paulo (Sefaz-SP) em Ribeirão Preto e Franca.
Os estabelecimentos pertencem ao empresário Pedro
Furtado Gouveia Neto, investigado no âmbito da
Operação Carbono Oculto, que apura um esquema de
lavagem de
dinheiro
relacionado ao
Primeiro Comando
da Capital (PCC).
Em Ribeirão Preto,
a fiscalização
lacrou as bombas
do Auto Posto
Estrela de Madri,
na Avenida da
Saudade, e do Auto
Posto Marechal
Costa e Silva,
localizado na Rua
Capitão Salomão. Em Franca, o estabelecimento
atingido foi o Posto Terrana, na Avenida Miguel Alves de
Melo França. Segundo as autoridades, os três locais não
possuíam autorização para funcionar e utilizavam
equipamentos de pagamento registrados em nomes
diferentes dos respectivos postos.
Durante a ação, fiscais lacraram as bombas de
abastecimento e recolheram máquinas de pagamento e
documentos. A fiscalização ocorreu depois de a Agência
Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
(ANP) acionar a Secretaria da Fazenda.
A utilização de maquininhas
vinculadas a terceiros chamou a
atenção dos fiscais porque esse
mecanismo pode permitir que
parte dos valores recebidos dos
consumidores fique fora do
faturamento oficialmente
declarado pelo estabelecimento.
A suspeita, nesse tipo de
situação, é de possível redução
artificial da receita contabilizada
e, consequentemente, da
tributação incidente sobre as
operações.
AS
INVESTIGAÇÕES
Pedro Furtado
Gouveia Neto foi
um dos alvos da
Operação Carbono
Oculto, deflagrada em agosto de 2025 para investigar a
infiltração do crime organizado na cadeia de
combustíveis e no mercado financeiro. De acordo com
as investigações, mais de 350 pessoas e empresas
foram atingidas pela operação.
O empresário aparece como sócio da GGX Global,
empresa que, segundo a Justiça de São Paulo, teria
ligação com o grupo de Mohamad Hussein Mourad,
apontado nas investigações como principal suspeito de
comandar um esquema de lavagem de dinheiro.
Levantamento realizado anteriormente pelo g1 apontou
ainda que Pedro Furtado Gouveia Neto figurava como
sócio de 56 postos de combustíveis. As investigações da
Carbono Oculto analisaram uma estrutura empresarial
que, segundo os investigadores, teria utilizado postos,
distribuidoras, fintechs e fundos de investimento para
movimentar e ocultar recursos de origem criminosa.
Em maio deste ano, uma segunda etapa das apurações,
denominada Operação Fluxo Oculto, apontou que
integrantes do esquema investigado teriam continuado a
movimentar dinheiro, adulterar combustíveis e praticar
sonegação fiscal mesmo depois da primeira operação.
UMA REDE SOB INVESTIGAÇÃO
O caso revela novamente como o setor de combustíveis
passou a ocupar posição central nas investigações
sobre a atuação econômica de organizações criminosas.
Postos de gasolina movimentam diariamente grandes
volumes financeiros e, justamente por isso, podem ser
utilizados como instrumentos para operações ilícitas
quando estruturas empresariais são empregadas para
esconder a origem ou o destino do dinheiro.
No caso dos estabelecimentos fechados nesta quinta-
feira, entretanto, é importante separar as suspeitas
investigadas pelas autoridades das responsabilidades
que eventualmente venham a ser reconhecidas pela
Justiça. O fechamento dos postos ocorreu em razão de
irregularidades identificadas durante a fiscalização
estadual, enquanto a eventual participação dos
envolvidos nos crimes investigados pela Operação
Carbono Oculto depende do andamento das respectivas
apurações e decisões judiciais.
Até o fechamento desta matéria, a defesa de Pedro
Furtado Gouveia Neto e representantes dos postos eram
procurados para manifestação sobre a fiscalização e as
medidas adotadas.