CRONICA E ARTE CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email
cronicaearte@cronicaearte.com.br Rua São João, 869, 14882-010 Jaboticabal SP
RIBEIRÃO PRETO: CÂMARA APROVA
REGULAMENTAÇÃO DE 'FLANELINHAS' EM ÁREAS
PRIVADAS
Mentore Conti Mtb 0080415 SP foto Jus Brasil
Jaboticabal, 10 de maio de 2026
A Câmara de
Vereadores de
Ribeirão Preto
aprovou, em sessão
nesta quarta-feira (6
de maio), um projeto
de lei que visa
regulamentar a
atuação dos
chamados “flanelinhas” na cidade. A proposta, que
agora segue para sanção do prefeito Ricardo Silva
(PSD), estabelece que a atividade será permitida
apenas em eventos e áreas particulares, mediante
autorização expressa dos proprietários. Em
contrapartida, a atuação em espaços públicos, como
ruas e avenidas, permanecerá estritamente proibida,
com previsão de multa para os infratores.
O projeto de lei, de autoria do vereador Sargento Lopes
(PL), busca organizar uma atividade reconhecida
nacionalmente, mas que, segundo o autor, não pode
justificar a utilização indevida do espaço público ou a
cobrança irregular por vagas que pertencem à
coletividade. A iniciativa prevê a criação de um
cadastro municipal para os
profissionais autorizados, visando
aumentar a segurança, permitir a
identificação dos trabalhadores,
incentivar a formalização e
estabelecer um controle público
sobre a atividade.
A regulamentação está alinhada
com o Código de Trânsito Brasileiro
(CTB), que assegura a livre
circulação de veículos e impede a
interferência indevida, como a
cobrança por estacionamento em
vias públicas por particulares. A
fiscalização da nova lei será
realizada por órgãos municipais competentes, a serem
definidos pelo Poder Executivo, com a possibilidade de
atuação integrada da RP Mobi e da Guarda Civil
Metropolitana (GCM).
Em caso de descumprimento, o infrator estará sujeito a
uma multa de dez Unidades Fiscais do Estado de São
Paulo (Ufesp). Considerando o valor atual da Ufesp em
R$ 38,42, a penalidade totalizará R$ 384,20.
Uma Discussão Antiga na Cidade
A questão dos “flanelinhas” em Ribeirão Preto é um
debate de longa data. Em 2014, o Tribunal de Justiça
de São Paulo (TJSP) proibiu a atuação desses
guardadores na cidade, após uma ação civil pública
movida pelo promotor de Defesa do Consumidor,
Carlos Cezar Barbosa, que chegou a classificar a
prática como crime de extorsão. Na época, o promotor
sugeriu a criação de uma brigada de guardadores
voluntários, sem cobrança pelo serviço, mas a proposta
foi recusada.
Em 2019, a prefeitura tentou regularizar a atividade
com um projeto de lei, mas a iniciativa foi barrada pela
Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) da
Câmara, que considerou a proposta falha. O projeto
visava ampliar o poder de autuação do Departamento
de Fiscalização Geral da Secretaria Municipal da
Fazenda para coibir a atuação em vias movimentadas
e no entorno de locais de entretenimento.
Anos depois, a prefeitura de Ribeirão Preto foi
sentenciada a fiscalizar a atuação dos “flanelinhas”,
que em alguns casos cobravam valores abusivos,
como R$ 40, e faziam ameaças a motoristas que se
recusassem a pagar. A “novela dos flanelinhas” teve
início em 2010, com a ação civil pública do promotor
Carlos Cezar Barbosa, que solicitava a intervenção da
prefeitura e da Polícia Militar. Em 2013, uma decisão
judicial considerou a ação procedente e obrigou o
município a fiscalizar, sob pena de multa de R$ 1 mil
por cada “flanelinha” flagrado em atividade irregular.
Não há, contudo, um levantamento oficial sobre o
número total de guardadores de veículos atuando na
cidade.