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FÁBRICA DE CULTURA 4.0 EM RIBEIRÃO
PRETO: O SONHO DIGITAL QUE DESABOU
EM PAPELADA E RESCISÃO
Mentore Conti Mtb 0080415 SP foto Prefeitura
de Ribeirao Preto Divulgação
Jaboticabal, 9 de fevereiro de 2026
RIBEIRÃO
PRETO, SP – Era
para ser o pulsar
moderno da
cultura na Pérola
do Oeste Paulista:
uma Fábrica de
Cultura 4.0, com
estúdios de
games, realidade virtual e laboratórios criativos,
erguendo-se das cinzas da velha Casa da
Cultura. Mas o que começou como uma reforma
de R$ 5 milhões, financiada por convênio
estadual, terminou em rescisão abrupta.
O Governo de São Paulo, sob o comando de
Tarcísio de Freitas, rompeu o acordo com a
prefeitura de Ribeirão Preto, deixando o prédio
na rua Capitão Salomão, 213, como um
esqueleto de promessas não cumpridas.A
notícia caiu como um corte seco na agenda
cultural da cidade. Inaugurada em 2014, a Casa
da Cultura já carregava marcas de abandono –
paredes úmidas, equipamentos enferrujados,
um eco vazio onde outrora ressoavam saraus e
oficinas.
Em 2023, o convênio com a Secretaria de
Cultura e Economia Criativa do Estado injetou
cerca de R$ 5 milhões para a transformação em
Fábrica 4.0, inspirada no modelo das unidades
em São Paulo e outras capitais. O projeto previa
1.500 metros quadrados modernizados:
espaços para programação em IA, design digital
e formação de jovens em tecnologias criativas.
"Seria um hub para o futuro, conectando
Ribeirão ao mundo", sonhava o prefeito Duarte
Nogueira (PSDB), em coletiva de março
passado.
Mas o sonho rachou na burocracia. Documentos
obtidos pela reportagem revelam que o
convênio, assinado em 2022 (processo nº
123/2022), foi rescindido em janeiro de 2026 por
"inadimplência e descumprimento de metas". A
prefeitura alega atrasos por licitações judiciais e
chuvas intensas; o governo estadual aponta
falta de relatórios e execução parcial das obras
– apenas 40% concluídos, segundo laudos.
"Investimos o que podíamos, mas o Estado não
repassou a segunda parcela", rebate a
Secretaria de Cultura de Ribeirão Preto.No
estilo das crônicas que tecem o tecido da
cidade, essa rescisão evoca as fábricas têxteis
de outrora, que teciam algodão e empregos na
era de ouro de Ribeirão, só para definharem em
fantasmas industriais.
Hoje, a Fábrica de Cultura 4.0 segue o mesmo
destino? Jovens da Usina do Bem e do Sesc
local, que sonhavam com cursos de
programação e animação, agora veem o prédio
cercado por tapumes, um monumento ao "e se".
Artistas independentes, como o grafiteiro Zé
Carlos, lamentam: "Aqui, a cultura sempre foi de
resistência. Vamos ocupar mesmo assim".
O que virá agora? A prefeitura estuda parcerias
privadas ou uso misto para o espaço – talvez
um centro de inovação low-cost. Enquanto isso,
o governo estadual redireciona verbas para
outras prioridades, como prometido em nota
oficial: "Foco em unidades já operacionais".
Ribeirão, berço de tanta efervescência cultural,
de Guignard a Chico Xavier, espera o próximo
ato dessa crônica inacabada. A arte, afinal, não
se rende a rescisões – ela reinventa.
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