CRONICA E ARTE CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com.br Rua São João, 869, 14882-010 Jaboticabal SP
FÁBRICA DE CULTURA 4.0 EM RIBEIRÃO PRETO: O SONHO DIGITAL QUE DESABOU EM PAPELADA E RESCISÃO Mentore Conti Mtb 0080415 SP foto Prefeitura de Ribeirao Preto Divulgação Jaboticabal, 9 de fevereiro de 2026 RIBEIRÃO PRETO, SP – Era para ser o pulsar moderno da cultura na Pérola do Oeste Paulista: uma Fábrica de Cultura 4.0, com estúdios de games, realidade virtual e laboratórios criativos, erguendo-se das cinzas da velha Casa da Cultura. Mas o que começou como uma reforma de R$ 5 milhões, financiada por convênio estadual, terminou em rescisão abrupta. O Governo de São Paulo, sob o comando de Tarcísio de Freitas, rompeu o acordo com a prefeitura de Ribeirão Preto, deixando o prédio na rua Capitão Salomão, 213, como um esqueleto de promessas não cumpridas.A notícia caiu como um corte seco na agenda cultural da cidade. Inaugurada em 2014, a Casa da Cultura já carregava marcas de abandono – paredes úmidas, equipamentos enferrujados, um eco vazio onde outrora ressoavam saraus e oficinas. Em 2023, o convênio com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado injetou cerca de R$ 5 milhões para a transformação em Fábrica 4.0, inspirada no modelo das unidades em São Paulo e outras capitais. O projeto previa 1.500 metros quadrados modernizados: espaços para programação em IA, design digital e formação de jovens em tecnologias criativas. "Seria um hub para o futuro, conectando Ribeirão ao mundo", sonhava o prefeito Duarte Nogueira (PSDB), em coletiva de março passado. Mas o sonho rachou na burocracia. Documentos obtidos pela reportagem revelam que o convênio, assinado em 2022 (processo nº 123/2022), foi rescindido em janeiro de 2026 por "inadimplência e descumprimento de metas". A prefeitura alega atrasos por licitações judiciais e chuvas intensas; o governo estadual aponta falta de relatórios e execução parcial das obras – apenas 40% concluídos, segundo laudos. "Investimos o que podíamos, mas o Estado não repassou a segunda parcela", rebate a Secretaria de Cultura de Ribeirão Preto.No estilo das crônicas que tecem o tecido da cidade, essa rescisão evoca as fábricas têxteis de outrora, que teciam algodão e empregos na era de ouro de Ribeirão, só para definharem em fantasmas industriais. Hoje, a Fábrica de Cultura 4.0 segue o mesmo destino? Jovens da Usina do Bem e do Sesc local, que sonhavam com cursos de programação e animação, agora veem o prédio cercado por tapumes, um monumento ao "e se". Artistas independentes, como o grafiteiro Zé Carlos, lamentam: "Aqui, a cultura sempre foi de resistência. Vamos ocupar mesmo assim". O que virá agora? A prefeitura estuda parcerias privadas ou uso misto para o espaço – talvez um centro de inovação low-cost. Enquanto isso, o governo estadual redireciona verbas para outras prioridades, como prometido em nota oficial: "Foco em unidades já operacionais". Ribeirão, berço de tanta efervescência cultural, de Guignard a Chico Xavier, espera o próximo ato dessa crônica inacabada. A arte, afinal, não se rende a rescisões – ela reinventa.
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