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ESTADO E SANTA CASA DE FRANCA ARCAM
COM R$ 1 MILHÃO EM INDENIZAÇÃO POR
CEGUEIRA EM CAMPANHA OFTALMOLÓGICA
Mentore Conti Mtb 0080415 SP foto Santa Casa
Divulgação
Jaboticabal, 18 de janeiro de 2026
Franca, SP – Um
mutirão de
cirurgias
oculares,
prometido como
solução rápida
para filas no
SUS, virou
pesadelo para
dezenas de pacientes. O Tribunal de Justiça
condenou o Governo do Estado de São Paulo e
a Santa Casa de Franca a pagar R$ 1 milhão em
danos morais coletivos. A indenização foi
decorrência de procedimentos mal executados
que deixaram pessoas às escuras, sem visão,
em meio a uma iniciativa que deveria restaurar
olhares.
Tudo começou em 2022, quando o programa
estadual de mutirões oftalmológicos
desembarcou na cidade. Médicos convidados
operaram cataratas em massa, mas falhas
graves – como esterilização inadequada de
instrumentos e diagnósticos precipitados –
provocaram infecções devastadoras.
Pelo menos 40 vítimas relataram perda total ou
parcial da visão, transformando rotinas simples
em trevas eternas. Uma delas, a aposentada
Maria José Silva, de 68 anos, descreve o horror:
"Eu via meus netos brincando. Hoje, só sinto o
cheiro deles. Quem vai devolver minha luz?".
A ação civil pública, movida pelo Ministério
Público, expôs negligência em cadeia. O Estado,
responsável pelo agendamento e custeio,
ignorou alertas sobre a estrutura precária do
hospital. A Santa Casa, por sua vez, liberou
cirurgias sem protocolos mínimos de segurança.
Peritos judiciais confirmaram: contaminação
cruzada e cirurgiões sobrecarregados foram
fatais. "Não era atendimento, era roleta-russa
com olhos humanos", resume o promotor
responsável pelo caso.
Em nota oficial, o Grupo Santa Casa de Franca
afirma que "todas as providências adotadas nas
cirurgias estão de acordo com as diretrizes da
Secretaria Estadual de Saúde" e que avalia os
passos para o recurso contra a decisão.
A sentença, proferida na última semana, fixa o
valor em R$ 1 milhão a ser rateado entre as rés,
além de obrigações como reabilitação vitalícia às
vítimas e auditoria em futuros mutirões. Mas o
rombo vai além do financeiro: famílias
desestruturadas, idosos isolados e uma
confiança abalada no sistema público de saúde.
O Estado também recorre.
Resta saber se promessas viram ações ou mais
poeira nos olhos da população. Especialistas em
saúde pública alertam: campanhas aceleradas
salvam vidas só com fiscalização rigorosa. Em
Franca, o episódio ecoa como lição amarga – e
cara.
(continue lendo após o anúncio)