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WILSON SIMONAL: DA GLÓRIA AOS PALCOS À QUEDA PELO BOICOTE – UMA TRAJETÓRIA MARCADA PELA MPB E PELA DITADURAMentore Conti Mtb 0080415 SP foto DivulgaçãoJaboticabal, 21 de fevereiro de 2026Wilson Simonal, o "Rei da Pilantragem", brilhou na década de 1960 como um dos maiores ícones da Música Popular Brasileira (MPB), com uma voz inconfundível e um swing que conquistou plateias lotadas. Sua ascensão meteórica, no entanto, foi interrompida por acusações infundadas de colaboração com a ditadura militar de 1964, culminando em um boicote que destruiu sua carreira. Anos depois, investigações revelaram que as denúncias eram uma farsa, mas o dano já estava feito.Ascensão Estelar: O Som da Juventude CariocaNascido em 26 de fevereiro de 1939, no Rio de Janeiro, Simonal começou como crooner em boates e ganhou projeção com seu estilo animado, misturando samba, jazz e soul americano. Em 1963, explodiu com "Balanço Zona Sul", de Menescal e Bôscoli, que capturava o espírito da Jovem Guarda e da Bossa Nova, tornando-se hino das praias cariocas.Logo vieram outros sucessos avassaladores: "Lobo Bobo" (1964), com seu ritmo dançante; "Mamãe Passou Açúcar em Mim" (1965), versão brasileira de "My Sweet Lord"; e "Nem Vem Que Não Tem" (1966), que definiu sua imagem de malandro simpático. "Tributo a Martin Luther King" (1968), emocionante homenagem ao líder negro assassinado, mostrou sua veia soul e engajamento social, gravada logo após o crime.O ápice veio em 1968 com "Sá Marina", de Antonio Adolfo e Tibério Gaspar, cujo arranjo soul de César Camargo Mariano levou o Brasil à loucura – e cruzou fronteiras, regravada por Sérgio Mendes e Stevie Wonder como "Pretty World". Em 1969, Jorge Ben Jor lhe presenteou "País Tropical", hino otimista que vendeu milhões e lotou o Maracanãzinho em shows históricos. Simonal era o rei dos compactos, com capas chamativas e energia explosiva, assinando com gravadoras como Odeon e Philips.O Escândalo que Mudou Tudo: Acusações de "Dedo-Duro"Tudo desmoronou em 1970. Simonal denunciou seu contador, Raphael Viviani, ao DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) por desvio de verbas e ameaças telefônicas, assinando uma declaração se dizendo "antigo colaborador" do órgão e apoiador do regime militar. Viviani, preso e torturado, confessou sob coação e acusou Simonal de extorsão e delação de artistas opositores.Embora nunca comprovado que Simonal tenha delatado colegas como Chico Buarque ou Milton Nascimento – figuras do meio artístico que o boicotaram –, os boatos se espalharam como fogo. Jornais sensacionalistas o pintaram como "dedo-duro", e o meio musical, temendo "se queimar", recusou convites para shows conjuntos. Nelson Motta o chamou de "tabu, leproso e pária"; Paulo Vanzolini chegou a dizer que ele se gabava da delação, embora sem provas. Rádios e TVs o vetaram, e gravadoras romperam contratos. Em 1972, Simonal foi condenado por extorsão, mas cumpriu pena em liberdade, sempre negando ser informante.Decadência Brutal: Do Topo ao EsquecimentoA partir de 1971, a carreira ruiu: shows vazios, dívidas e isolamento. "A Vida É Só pra Cantar" (1976), de Bezerra da Silva, vendeu bem no início, mas o estigma persistiu. Tentativas de comeback, como álbuns nos anos 1980, fracassaram; ele recorreu a apresentações em bares e igrejas. O boicote coletivo – sem nomes específicos listados em arquivos, mas atribuído a opositores da ditadura como Chico Buarque e Gilberto Gil no contexto geral – o transformou em persona non grata.Simonal morreu em 2000, aos 61 anos, vítima de tuberculose, pobre e esquecido pela elite cultural. Seus filhos, Wilson Simoninha e Max de Castro, herdaram o talento, mas carregaram o peso do sobrenome.A Verdade Revelada: A Farsa das AcusaçõesAnos após sua morte, a verdade emergiu. Em 2003, a Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB analisou arquivos do SNI, Polícia Federal, depoimentos de conviventes e jornais dos anos 1970, concluindo que Simonal não era "dedo-duro". Não havia provas de delações contra artistas; Viviani foi coagido sob tortura, e Simonal agira de boa-fé ao denunciar ameaças.A OAB declarou sua memória "desagravada", destacando que ele foi "condenado pela opinião pública sem acusação formal ou defesa". Chico Anysio testemunhou: "Quem o conhecia sabe que jamais seria dedo-duro". Em 2006, a entidade reiterou: levantamento no SNI confirmou as suspeitas "descabidas". Documentários como "Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Eu Sou" (2019) e debates atuais sobre "cancelamento" resgataram sua imagem, provando a farsa coletiva.Legado Eterno: Mais que um "Cancelado"Hoje, em 2026, Simonal é reavaliado como vítima de polarização política e pioneiro do "cancel culture" brasileiro. Suas músicas – "Meu Limão, Meu Limoeiro", "Terezinha", "Sonho de um Carnaval" – tocam em rádios e playlists, provando sua imortalidade. A lição? Acusações sem prova destroem vidas, mas a verdade, como um bom samba, sempre volta a tocar.
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