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Cronica e arte

CRONICA E ARTE CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com.br Rua São João, 869, 14882-010 Jaboticabal SP
"TAIGUARA: CANTANDO A UTOPIA DO CORAÇÃO BRASILEIRO" Mentore Conti Mtb 0080415 SP foto Divulgação Jaboticabal, 25 de janeiro de 2026 Taiguara Chalar da Silva, cantor e compositor nascido no Uruguai e criado no Brasil, foi um dos artistas mais censurados da música popular brasileira durante a ditadura militar. Morto em 14 de fevereiro de 1996, em São Paulo, vítima de infarto agudo do miocárdio no pós-operatório de uma cirurgia, Taiguara deixou uma obra marcada pelo lirismo, pelo romantismo sofisticado e pela resistência política. Entre as décadas de 1960 e 1990, construiu uma trajetória singular na MPB, gravando álbuns por grandes gravadoras, enfrentando o exílio e tendo dezenas de músicas proibidas pelo regime militar. Hoje, sua produção é reavaliada como uma das mais coerentes e corajosas da canção brasileira. Poucos artistas da música brasileira viveram uma relação tão intensa entre criação artística e repressão política quanto Taiguara. Dono de uma voz aveludada, formação musical sólida e refinamento melódico raro, ele surgiu nos anos 1960 como um compositor romântico — mas rapidamente se transformou em uma das vozes mais incômodas ao regime militar. Nascido em Montevidéu, em 9 de outubro de 1945, filho de músicos, Taiguara mudou-se ainda criança para o Brasil. Cresceu entre o Rio de Janeiro e São Paulo, absorvendo referências da bossa nova, do jazz, da música latino-americana e da canção popular brasileira. Seu talento o levou cedo aos festivais e à televisão, espaços centrais da indústria musical da época. O sucesso veio rapidamente. Canções como “Hoje”, “Universo no Teu Corpo” e “Viagem” o colocaram entre os nomes mais populares da MPB no final dos anos 1960. No entanto, à medida que suas letras passaram a incorporar metáforas sociais, críticas ao autoritarismo e mensagens de liberdade, o artista passou a ser sistematicamente perseguido pela censura. Durante os anos 1970, Taiguara teve dezenas de músicas proibidas, discos recolhidos e contratos rompidos. O caso mais emblemático foi o álbum “Imyra, Tayra, Ipy” (1976), uma obra conceitual que foi praticamente banida logo após o lançamento. A repressão não era apenas simbólica: impedia sua sobrevivência profissional. Sem espaço no Brasil, Taiguara seguiu para o autoexílio, vivendo e trabalhando na Europa e na África. Gravou material em Londres, dialogou com outras tradições musicais e aprofundou sua visão política, aproximando-se de ideias socialistas e anti-imperialistas. Mesmo fora do país, suas músicas continuaram proibidas por aqui. Com a abertura política, retornou ao Brasil no início dos anos 1980, lançando “Canções de Amor e Liberdade”, título que sintetiza sua trajetória. Nos anos seguintes, manteve carreira discreta, porém consistente, culminando em “Brasil Afri” (1994), álbum que reafirma seu interesse pelas raízes africanas da cultura brasileira. A morte precoce, em 1996, interrompeu um processo de redescoberta de sua obra. Hoje, Taiguara é visto não apenas como um compositor talentoso, mas como um símbolo de coerência artística em tempos de repressão — alguém que pagou um preço alto por não abdicar da própria voz. Ao estudarmos a obra de Taiguara, vemos a poética de Taiguara que destaca-se pela fusão de imagens indígenas e naturais com um lirismo romântico e simbólico, enquanto sua musicalidade impressiona pela sofisticação harmônica e vocal, influenciada pela bossa nova e ritmos regionais. Poética das letras Suas composições empregam metáforas densas e ambivalentes, como em "Imyra, Tayra, Ipy" (1971), onde termos tupi como "Imyra" (mãe), "Tayra" (lua) e "Ipy" (pedra) evocam ciclos vitais, florescimento e sofrimento em sete cenas poéticas, criando uma narrativa mítica e sensorial. Letras iniciais, como "Mônica, Mônica", priorizam o amor cotidiano com toques tecnológicos e reflexivos, evoluindo para expressões de ausência e idealismo em faixas como "Terra das Palmeiras", que dialoga com Gonçalves Dias via imagens de silêncio e escuridão. Essa linguagem poética, rica em sinestesia (cores, sons, texturas), constrói utopias sonhadoras sem panfletarismo explícito. Musicalidade inovadora Taiguara brilha como arranjador e pianista, com harmonias complexas e modais em álbuns como o homônimo de 1968, misturando samba, bossa e elementos folclóricos em melodias fluidas e vocais a cappella ou sobrepostas. No disco "Imyra, Tayra, Ipy", ritmos regionais sustentam arranjos criativos com orquestrações grandiosas, enquanto "Outra Cena" revela sua piano solo introspectivo, destacando extensão vocal e controle dinâmico. Sua voz, comparada a um "sabiá ferido", alia lirismo a intensidade emocional, influenciando a MPB experimental dos anos 1970. 2) DISCOGRAFIA COMENTADA (ÁLBUM A ÁLBUM) 1965 – Taiguara! (Philips) Disco de estreia. Apresenta um jovem compositor influenciado pela bossa nova e pela canção romântica. Já revela sofisticação harmônica. 1966 – Este Mundo É Meu (Philips) Amplia o alcance popular. Letras introspectivas e arranjos elegantes consolidam sua imagem de cantor sensível. 1969 – Hoje (Philips) Marco da carreira. A faixa-título vira clássico da MPB. Aqui Taiguara atinge grande sucesso comercial. 1970 – Viagem (Philips) Mistura romantismo, espiritualidade e expansão poética. Contém “Universo no Teu Corpo”, uma de suas músicas mais regravadas. 1972 – Piano e Viola (Odeon) Mais intimista, reforça o compositor sofisticado. Marca a transição para um discurso mais denso. 1976 – Imyra, Tayra, Ipy (EMI/Odeon) Obra conceitual e política. Um dos discos mais censurados da MPB. Hoje é cultuado como obra- prima. 1983 – Canções de Amor e Liberdade (independente) Retorno após o exílio. Disco explícito em sua defesa da liberdade e da justiça social. 1994 – Brasil Afri (independente) Síntese final de sua pesquisa musical. Diálogo entre Brasil, África e identidade cultural. 3) PLAYLIST CRONOLÓGICA ESSENCIAL – TAIGUARA (ordem sugerida para audição histórica) Hoje Este Mundo É Meu Amanda Viagem Universo no Teu Corpo Berço de Marcela Que as Crianças Cantem Livres Teu Sonho Não Acabou Imyra Tayra Ipy Canção do Amor que Não Se Acaba Canções de Amor e Liberdade Caminhando (temática social) Brasil Afri Próximo passo Se quiser, no próximo envio eu posso: entregar tudo isso diagramado em .DOCX A4, no padrão Crônica e Arte; acrescentar ficha técnica completa; ou preparar uma versão especial para publicação digital, com subtítulos e intertítulos otimizados. É só me dizer como deseja finalizar.
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Viagem
Hoje
no final do artigo duas músicas de taigurara