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REFORMA TRIBUTÁRIA E MUNICÍPIOS: O QUE MUDA
NA PRÁTICA?
A nova lógica da arrecadação e seus impactos nas
cidades e no ambiente de negócios a partir de 2026.
A Reforma Tributária, que
em 2026 entrou em uma
nova fase de transição,
altera consideravelmente
a gestão pública
municipal. Mais do que
uma alteração técnica no
sistema de impostos,
trata-se de uma transformação que impacta a
organização das receitas, o ambiente de negócios local e
o planejamento urbano.
Entre as principais mudanças, destacam-se a
substituição gradual do ISS (Imposto sobre Serviço) pelo
IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a extinção gradual
do ICMS, imposto estadual. Essas alterações marcam
uma verdadeira mudança estrutural no sistema tributário
brasileiro e na dinâmica de arrecadação municipal, (com
a extinção do ICMS ocorrendo de forma gradual para
assegurar uma transição mais suave e previsível para os
estados).
Esses tributos, fundamentais para a arrecadação pública,
cedem espaço a um modelo mais unificado, alterando a
relação entre municípios, o sistema de distribuição de
recursos e os contribuintes.
A Transição de 2026: O Fim do ISS e a Chegada do IBS
Com o novo modelo, a arrecadação municipal será
alterada. O IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que
substitui o ISS, será administrado pelo Comitê Gestor
(CGIBS), responsável pela distribuição dos valores
arrecadados entre estados e municípios. Isso implica que
o imposto não será mais recolhido diretamente pelo
município, exigindo adaptação na gestão financeira local.
Adicionalmente, a distribuição da receita levará em conta
fatores como o local do consumo e os índices de
arrecadação registrados entre 2019 e 2026, o que torna o
desempenho fiscal dos municípios estratégico durante o
período de transição. (É fundamental ressaltar que a
extinção do ICMS será gradual, garantindo um período
de adaptação para estados e municípios).
Este novo cenário ressalta a importância da organização
fiscal e do planejamento estratégico, visto que municípios
com melhor gestão de receitas tendem a se posicionar de
forma mais favorável no novo sistema de distribuição.
A transição também demanda maior controle de dados,
organização fiscal e mais previsibilidade, uma vez que a
forma como as receitas são registradas e acompanhadas
influenciará diretamente os recursos disponíveis nos
próximos anos.
(Tabela Comparativa: Estrutura Fiscal e Impacto da
Reforma Tributária nos Municípios no final da página)*
Gestão Estratégica: Por que a Integração entre
Secretarias é Vital?
A Reforma Tributária não deve ser abordada apenas
pelas Secretarias da Fazenda, pois seus impactos nas
receitas abrangem investimentos, políticas públicas e o
desenvolvimento econômico local.
Por esse motivo, áreas como desenvolvimento
econômico, licitações, educação e meio ambiente
precisam atuar de forma integrada. Essa união fortalece
a capacidade do município de responder às mudanças e
tomar decisões mais alinhadas ao novo cenário fiscal.
Algumas medidas podem auxiliar os municípios nesse
processo de adaptação, como:
•Investir na capacitação de equipes e gestores;
•Definir uma liderança técnica responsável pelo tema;
•Organizar e qualificar os dados fiscais;
•Estimular políticas de desenvolvimento econômico local;
•Fortalecer a governança e a transparência.
Cidades Competitivas: Como Atrair Investimentos no
Novo Cenário
Além disso, incentivar o consumo local e a formalização
de empresas pode contribuir para melhorar o
desempenho econômico e, consequentemente, a
arrecadação municipal.
Os pequenos negócios também sentirão os reflexos
dessas mudanças, uma vez que a organização municipal
influenciará diretamente a atração de investimentos, as
oportunidades para empreendedores e a competitividade
local.
Cidades mais preparadas tendem a oferecer um
ambiente mais propício ao crescimento das empresas,
gerando impactos positivos no desenvolvimento
econômico e na geração de renda.
A Reforma Tributária, ao mesmo tempo em que
apresenta desafios, também abre espaço para uma
gestão pública mais estratégica, integrada e eficiente.
Com a nova lógica da Reforma Tributária, consumir no
comércio local também fortalece a arrecadação municipal
e contribui para o desenvolvimento da própria cidade.
O fortalecimento da economia local deixou de ser apenas
uma bandeira política para se tornar uma necessidade
fiscal: no novo sistema, onde há consumo, há receita.
clique abaixo:
Tabela Comparativa: Estrutura Fiscal e Impacto da
Reforma Tributária nos Municípios
**Deise Mendes** é advogada especialista
em Direito Tributário pela Faculdade de
Direito de Ribeirão Preto da Universidade de
São Paulo (USP-FDRP), com MBA em
Compliance, Contabilidade e Direito
Tributário com ênfase em Malhas Fiscais
pela BSSP. É membra da Comissão
Especial de Direito Tributário da OAB São
Paulo e da Comissão de Direito Tributário da
6ª Subseção da OAB de Jaboticabal.
É autora do capítulo **Planejamento Tributário Lícito na
Atividade Rural**, integrante da obra *Tributação do Agronegócio
– Fundamentos, Estratégias e Futuro Fiscal do Campo
Brasileiro*, publicada pela Editora JusPodivm.
A partir desta coluna quinzenal, compartilhará reflexões e
informações sobre temas tributários relevantes para
empresários, produtores rurais, profissionais e toda a sociedade.
**Deise Mendes**
Colunista e Advogada
No final do artigo uma biografia de Deise Mendes
Artigo publicado em 29
de junho de 2026