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PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO: A LINHA (NEM
SEMPRE VISÍVEL) ENTRE ECONOMIZAR IMPOSTO E
COMETER FRAUDE
Todo brasileiro
— pessoa física
ou empresário
— já ouviu falar
em "pagar
menos imposto
de forma legal".
Mas poucos
sabem que
existe um nome
técnico para isso, e que a diferença entre fazer isso
certo e fazer isso errado pode significar a diferença entre
uma boa gestão financeira e um processo na Justiça, ou
até na esfera penal.
Por que o sistema tributário brasileiro é tão
complicado?
O Brasil tributa por meio de um verdadeiro emaranhado
de normas: a Constituição Federal, o Código Tributário
Nacional, leis ordinárias, medidas provisórias, decretos,
portarias e por aí vai. É esse conjunto de regras — o
chamado Sistema Tributário Nacional — que define
quem paga o quê, quando e como.
O problema (ou, para alguns, a oportunidade) é que, por
ser um sistema denso e cheio de detalhes, ele abre
espaço para diferentes interpretações. E é exatamente
aí que entra o planejamento tributário.
O que é, afinal, "elisão fiscal"?
Elisão fiscal é o nome técnico dado ao planejamento
tributário feito
dentro da lei. É
quando uma
pessoa ou
empresa
organiza suas
atividades de
forma legítima
para pagar
menos tributo — ou até para não gerar a obrigação de
pagar um determinado imposto.
Não há nada de errado nisso: é um direito do
contribuinte buscar a forma mais eficiente, legal, de
conduzir seus negócios.
O problema é que existe uma
prima muito parecida, só que do
lado errado da lei: a evasão fiscal.
Elisão x evasão: a diferença que
pode custar caro
Na prática, elisão e evasão fiscal
têm o mesmo objetivo — reduzir o
valor pago em tributos. A diferença
está no como isso é feito.
• Na elisão fiscal, o contribuinte usa alternativas
legítimas, previstas ou permitidas pela legislação, para
reduzir sua carga tributária. É planejamento, é
estratégia, é lícito.
• Na evasão fiscal, o contribuinte simula operações,
forja documentos ou age com fraude e dolo para
escapar do pagamento de
um tributo já devido. É
crime, e pode gerar
consequências não só
administrativas (multas),
mas também civis e até
penais.
Ou seja: uma decisão mal calculada, tomada sem
orientação técnica adequada, pode transformar um
"planejamento tributário" em uma autuação fiscal — ou
pior, em um processo criminal.
O que dizem os tribunais
Não é o contribuinte, sozinho, quem decide se
determinada estrutura é elisão ou evasão. Órgãos como
o CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais)
e o STJ (Superior Tribunal de Justiça) têm decisões
cada vez mais firmes contra estruturas que, mesmo
"vestidas" de planejamento tributário legítimo, na
verdade escondem simulação ou fraude.
Isso significa que a linha entre o lícito e o ilícito nem
sempre é óbvia — e é justamente por isso que o
planejamento tributário sério exige análise técnica, e não
apenas boa vontade ou "jeitinho".
Por que isso importa para você
Seja você empresário, profissional liberal ou apenas um
contribuinte que quer entender melhor seus direitos,
saber que existe uma diferença jurídica clara entre
economizar imposto de forma legal e sonegar é o
primeiro passo para tomar decisões mais seguras — e
evitar dores de cabeça (e prejuízos) no futuro.
**Deise Mendes**
Colunista e Advogada
No final do artigo uma biografia de Deise Mendes
Artigo publicado em 23
de setembro de 2026
fotos: Deise Mendes;
Agencia Brasil e Dominio
Público e ilustração Mia
Marques
FALAR
TRIBUTÁRIO:
«Porque o Direito Tributário é importante
para todos»
**Deise Mendes** é advogada
especialista em Direito Tributário
pela Faculdade de Direito de
Ribeirão Preto da Universidade
de São Paulo (USP-FDRP), com
MBA em Compliance,
Contabilidade e Direito Tributário
com ênfase em Malhas Fiscais
pela BSSP. É membra da Comissão Especial de
Direito Tributário da OAB São Paulo e da Comissão
de Direito Tributário da 6ª Subseção da OAB de
Jaboticabal.
É autora do capítulo **Planejamento Tributário Lícito
na Atividade Rural**, integrante da obra *Tributação
do Agronegócio – Fundamentos, Estratégias e
Futuro Fiscal do Campo Brasileiro*, publicada pela
Editora JusPodivm.
A partir desta coluna quinzenal, compartilhará
reflexões e informações sobre temas tributários
relevantes para empresários, produtores rurais,
profissionais e toda a sociedade.