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A DEFESA DO AGRONEGÓCIO FRENTE À SANHA
ARRECADATÓRIA: COMPLIANCE COMO GARANTIA
DE DIREITOS
O agronegócio
é o pilar que
sustenta a
balança
comercial
brasileira e, em
nossa região,
ele é o coração
da economia.
Entretanto, o
produtor rural enfrenta um desafio que vai além das
oscilações do mercado: a abusividade do sistema
tributário.
Muitas vezes, o Estado apresenta-se ao setor como um
"Leviatã Arrecadatório", em que a necessidade de
aumentar a receita atropela garantias constitucionais
básicas. Para o produtor de amendoim ou cana-de-
açúcar, uma autuação indevida ou erro de interpretação
da norma não significa apenas uma multa; pode
significar a inviabilidade do negócio e o bloqueio de seu
sustento.
Nesse contexto, o Compliance Tributário surge como
ferramenta indispensável de cidadania. Diferentemente
do que muitos pensam, o compliance não serve apenas
para "pagar impostos", mas para instituir processos de
due diligence (diligência prévia) que servem de escudo
contra excessos estatais.
Especialmente em nossa região, o ciclo produtivo da
cana e do amendoim possui particularidades que o
Fisco Digital muitas vezes desconsidera. Implementar
uma due diligence rigorosa permite que o produtor
exerça seu direito fundamental à proteção contra
excessos. O compliance, portanto, atua como um
mecanismo de "domesticação" do poder tributário,
impondo racionalidade onde a complexidade das
malhas fiscais gera incerteza.
É preciso compreender que o compliance não é um
projeto com data para acabar, mas uma mudança de
cultura na gestão rural. Transitar de uma postura
reativa — de quem apenas espera a notificação chegar
— para uma estratégia proativa é o que separa o
produtor que apenas sobrevive às crises fiscais
daquele que prospera com segurança jurídica e fôlego
financeiro.
Com a iminente transição para o novo sistema
tributário, a margem para amadorismos será
inexistente. A automação do Fisco exigirá que o
agronegócio fale a língua dos dados estruturados e da
transparência processual. Nesse cenário de incertezas
trazido pela Reforma Tributária, o compliance deixa de
ser um diferencial competitivo para se tornar o pré-
requisito básico de permanência e proteção no
mercado.
Ao adotar a conformidade, o produtor assume as
rédeas da sua segurança jurídica, prevenindo litígios e
garantindo direitos fundamentais, como a não
confiscatoriedade. Proteger o agronegócio da
abusividade estatal é, em última análise, proteger a
própria estabilidade econômica da nossa terra.
Diante da iminente Reforma Tributária, é fundamental
zelar para que a modernização do sistema não
signifique o atropelo das garantias do contribuinte. O
Direito deve ser o limite ao arbítrio, garantindo que a
modernização do Fisco não prejudique quem sustenta
a nossa economia.
**Deise Mendes** é advogada
especialista em Direito Tributário
pela Faculdade de Direito de
Ribeirão Preto da Universidade
de São Paulo (USP-FDRP), com
MBA em Compliance,
Contabilidade e Direito Tributário
com ênfase em Malhas Fiscais
pela BSSP. É membra da Comissão Especial de
Direito Tributário da OAB São Paulo e da Comissão
de Direito Tributário da 6ª Subseção da OAB de
Jaboticabal.
É autora do capítulo **Planejamento Tributário Lícito
na Atividade Rural**, integrante da obra *Tributação
do Agronegócio – Fundamentos, Estratégias e
Futuro Fiscal do Campo Brasileiro*, publicada pela
Editora JusPodivm.
A partir desta coluna quinzenal, compartilhará
reflexões e informações sobre temas tributários
relevantes para empresários, produtores rurais,
profissionais e toda a sociedade.
**Deise Mendes**
Colunista e Advogada
No final do artigo uma biografia de Deise Mendes
Artigo publicado em 26
de julho de 2026
fotos: Deise Mendes; Agencia
Brasil e Dominio Público
FALAR
TRIBUTÁRIO:
«Porque o Direito Tributário é importante
para todos»