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O PRESÉPIO COMO NARRATIVA SIMBÓLICA DO
NATAL E DA DATA DE EPIFANIA
Da manjedoura ao Cordeiro de Deus: Magos,
pastores, música e ovelhas
Mentore Conti Mtb 0080415 SP fotos dominio público
Divulgação
Jaboticabal, 5 de janeiro de 2026
Neste período
de Natal que na
tradição Cristã
vai até este
próximo dia 8,
é importante
falar sobre o
presépio, uma
das mais
antigas
tradições do
Natal cristão,
reúne símbolos
que narram visualmente a encarnação de Jesus
Cristo. Da manjedoura aos Reis Magos — Melquior,
Gaspar e Baltasar — passando pelo Bom Pastor, pelo
pastor músico e pelas ovelhas ao redor do menino, o
presépio forma uma verdadeira teologia em imagens.
Essa narrativa simbólica só se completa no dia 6 de
janeiro, data da Epifania, razão pela qual a tradição
recomenda desmontá-lo apenas após essa data.
A manjedoura: Deus que nasce no lugar dos
dependentes
No centro do presépio está a manjedoura. Não um
berço, não um trono, não um palácio — mas um
comedouro de animais. Esse detalhe, muitas vezes
naturalizado, carrega um dos
símbolos mais fortes do
cristianismo.
Ao nascer na manjedoura,
Cristo se coloca:
no nível dos frágeis,
no espaço dos que
dependem,
no lugar onde antes apenas
os animais se alimentavam.
O menino que ali repousa é apresentado desde o
início como alimento espiritual. A tradição cristã verá
nessa imagem o anúncio daquele que será chamado
de “pão da vida”. O presépio
começa, portanto, com uma
inversão radical: Deus nasce
onde ninguém esperaria
encontrá-lo.
O Cordeiro de Deus:
nascimento e sacrifício unidos
O menino da manjedoura não
é apenas o recém-nascido
indefeso. Ele é,
simbolicamente, o Cordeiro de
Deus — aquele que assume
sobre si a fragilidade humana.
Esse símbolo une dois momentos:
o nascimento humilde,
e o destino de entrega.
Por isso, no presépio, o Cristo não aparece isolado:
ele nasce entre pastores e ovelhas, antecipando a
ideia de que veio para o rebanho humano. O Natal já
contém, silenciosamente, a promessa da redenção.
As ovelhas: a humanidade reunida em torno do
mistério
As ovelhas espalhadas ao redor da manjedoura não
são elementos decorativos. Na tradição bíblica, elas
simbolizam:
o povo simples,
a vulnerabilidade humana,
a necessidade de cuidado e orientação.
A ovelha não sobrevive sozinha. Ela depende do
pastor e do rebanho. Colocadas próximas ao menino
Jesus, as ovelhas representam a humanidade inteira,
reunida em torno de um Deus que não domina, mas
acolhe.
Cristo não nasce acima do rebanho, mas no meio
dele.
O Bom Pastor: Cristo antes da cruz
Entre as figuras mais antigas
do presépio está o Bom
Pastor, carregando uma
ovelha nos ombros. Essa
imagem é anterior às
representações da cruz e foi
amplamente usada pelos
primeiros cristãos,
especialmente nas
Catacumbas de Roma.
O Bom Pastor simboliza:
o cuidado,
a busca do perdido,
a salvação pela proximidade.
A ovelha carregada nos ombros é a humanidade
ferida, resgatada não pela força, mas pelo amor. No
presépio, essa figura anuncia que o menino da
manjedoura já nasce com uma missão: carregar o
mundo.
O pastor da flauta: a alegria que não explica, mas
celebra
Ao lado do Bom Pastor, surge uma figura discreta e
profundamente humana: o pastor que toca flauta.
Na cultura antiga, a música pastoral simbolizava:
harmonia com a natureza,
simplicidade,
alegria serena.
No presépio, esse pastor representa o povo simples
que responde ao mistério não com discursos ou
teorias, mas com música. Ele não entende totalmente
— ele celebra. Sua presença afirma que o Natal
também é arte, som e alegria compartilhada.
Os Reis Magos: o mundo que caminha até a
manjedoura
Se os pastores representam os simples, os Reis
Magos representam o mundo do saber, da ciência e
do poder que se coloca em movimento diante do
mistério.
A tradição lhes atribuiu nomes e significados
simbólicos:
Melquior — “meu rei é a luz”
Representa a velhice e oferece ouro, reconhecendo a
realeza.
Gaspar — “guardião do tesouro”
Representa a maturidade e oferece incenso,
reconhecendo a divindade.
Baltasar — “Deus protege o rei”
Representa a juventude e oferece mirra, sinal do
sofrimento.
Eles simbolizam:
as idades da vida,
os povos do mundo conhecido,
e as dimensões da existência humana: poder, fé e dor.
O tempo do presépio: por que desmontar apenas em
6 de janeiro
O presépio não se limita ao dia 25 de dezembro. Ele
pertence ao Tempo do Natal, que se estende até o dia
6 de janeiro, quando se celebra a Epifania — a
manifestação de Cristo ao mundo.
Até essa data, a narrativa não está completa:
o menino nasceu,
os pastores chegaram,
os Magos ainda caminham.
Desmontar o presépio antes disso interrompe a lógica
simbólica. Após a Epifania, o ciclo se fecha: Cristo foi
reconhecido não apenas pelos simples, mas também
pelo mundo.
Conclusão
O presépio é uma história contada sem palavras.
A manjedoura fala de humildade, as ovelhas falam de
fragilidade, os pastores falam de simplicidade, a flauta
fala de alegria, os Magos falam de busca, e o Bom
Pastor fala de cuidado.
Desmontá-lo apenas após o dia 6 de janeiro é
reconhecer que o Natal não é um instante, mas um
caminho — da manjedoura à vida, do símbolo à
história.
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