CRONICA E ARTE CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com.br Rua São João, 869, 14882-010 Jaboticabal SP
MACHADO DE ASSIS: 187 ANOS DO GÊNIO QUE REVELOU A ALMA HUMANA (Primeira parte - no final da página o link´para a segunda parte da matéria) Mentore Conti – MTB 0080415/SP fotos domínio público Jaboticabal, 22 de junho de 2026 Neste ano de 2026, o Brasil celebra os 187 anos de nascimento de Machado de Assis, considerado por críticos, estudiosos e leitores como o maior escritor da literatura brasileira e um dos mais importantes autores da língua portuguesa. Nascido em 21 de junho de 1839, no Rio de Janeiro, Machado construiu uma obra que ultrapassou seu tempo e continua atual ao retratar as contradições, paixões, ambições e fragilidades do ser humano. Sua produção literária, composta por romances, contos, crônicas, poesias e peças teatrais, transformou a literatura nacional e consolidou seu nome entre os grandes escritores universais. Obras como Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e Quincas Borba permanecem entre os livros mais estudados e lidos do país. Poucos escritores conseguiram compreender a natureza humana com a profundidade alcançada por Machado de Assis. Passados 187 anos de seu nascimento, sua obra continua surpreendentemente moderna, capaz de dialogar com leitores de diferentes gerações e culturas. A trajetória de Machado é, por si só, uma das mais impressionantes da história cultural brasileira. Filho de Francisco José de Assis, pintor de paredes e descendente de escravizados libertos, e de Maria Leopoldina Machado da Câmara, lavadeira açoriana, nasceu no Morro do Livramento, uma região pobre do Rio de Janeiro Imperial. Em uma época marcada por profundas desigualdades sociais e raciais, poucos imaginariam que aquele menino humilde se tornaria o principal nome da literatura brasileira. Órfão de mãe ainda na infância e enfrentando dificuldades financeiras durante boa parte da juventude, Machado teve acesso limitado à educação formal. Foi, em grande medida, autodidata. Aprendeu francês, ampliou seus conhecimentos literários por conta própria e trabalhou em tipografias e jornais, ambientes que lhe proporcionaram contato com intelectuais e escritores da época. Sua ascensão representa uma das mais extraordinárias histórias de superação da cultura brasileira. Saindo de uma condição social extremamente modesta, Machado alcançou os mais altos círculos intelectuais do país. Tornou-se funcionário público respeitado, jornalista, cronista e escritor consagrado. Em 1897, foi escolhido como o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, instituição que ajudou a fundar e que permanece como uma das principais referências culturais do Brasil. Mas a grandeza de Machado não está apenas em sua biografia. Está, sobretudo, na capacidade de enxergar aquilo que existe de mais profundo no comportamento humano. Ao contrário de muitos escritores de sua época, que buscavam apenas descrever costumes e ambientes, Machado mergulhava na mente de seus personagens. Seus romances investigam sentimentos universais como ciúme, inveja, orgulho, ambição, vaidade, egoísmo, amor e culpa. Em Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), considerado um marco do Realismo brasileiro, o narrador conta sua história após a morte, utilizando humor, ironia e uma visão crítica da sociedade. A obra rompeu com os modelos tradicionais da narrativa e inaugurou uma nova forma de escrever no Brasil. Já em Dom Casmurro (1899), Machado criou um dos maiores mistérios da literatura nacional. A dúvida sobre a suposta traição de Capitu continua provocando debates mais de um século depois da publicação do livro. Mais importante do que descobrir a verdade é compreender a mente de Bentinho, narrador marcado pelo ciúme, pela insegurança e pela obsessão. Em Quincas Borba, o escritor explora a loucura, a ganância e a ilusão de ascensão social. Em seus contos, como A Cartomante e Missa do Galo, demonstra extraordinária habilidade para revelar os conflitos internos dos personagens em poucas páginas. A força da literatura machadiana reside justamente nessa capacidade de mostrar que os seres humanos raramente são inteiramente bons ou maus. Seus personagens vivem em zonas cinzentas, movidos por desejos contraditórios e fraquezas universais. Por isso continuam tão atuais. (continua)
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