Cronica e arte
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A MÁ CONSERVAÇÃO DO NOSSO PATRIMONIO
CULTURAL: UMA TREGÉDIA ANUNCIADA
Mentore Conti Mtb 0080415 SP // foto da antiga escola Bento Vieira no
centro de Jaboticabal por Mentore Conti
Jaboticabal, 3 de setembro de 2018
Um incêndio destruiu ontem,
dia 2, o Museu Nacional do Rio
de Janeiro. O prédio foi
residência de Dom João VI e
sua família e somente depois
foi destinado, como sede do
museu (museu tambem criado
por D João VI).
Assim o incêndio não destruiu
somente o acervo que tinha no
museu, mas sim a primeira
residência da família real no
país. Agora vem à tona que a
instalação elétrica tinha sido trocada há 15 anos e que o prédio era
gerenciado por uma universidade no rio de janeiro, a Universidade Federal
do Rio de Janeiro, e que somente 10% do valor que o museu precisava
para a sua manutenção era colocado ali.
Desta forma o incêndio é realmente a síntese do descaso que autoridades e
a própria população brasileira tem com a sua cultura.
O brasileiro não foi ensinado que a base de uma nacionalidade é a cultura,
apesar de que o poeta português, Fernando Pessoa sintetiza bem isto na
frase: “minha pátria é minha língua”.
Desta omissão não escapa nem mesmo professores e intelectuais, pois o
museu estava sendo administrado por uma universidade no Rio de Janeiro
que na prática o abandonou. Caro leitor não pense que a tragédia do Rio de
Janeiro está longe de você, um exemplo do descaso com o patrimônio
público nós temos em Jaboticabal e bem no centro da cidade.
Há vários anos o clube Jaboticabal e o prédio da antiga escola Bento Vieira
(aquele prédio entre o SAAEJ (Serviço Autônomo de Agua e Esgoto de
Jaboticabal e a escola Aurélio Arrobas Martins, O Estadão) estão
abandonados.
Há cerca de um ano Associação Comercial e Industrial de Jaboticabal
ACIAJA, começou uma campanha para restaurar o clube Jaboticabal. O
valor da restauração está orçado em aproximadamente um milhão de reais,
mas segundo informações desta editoria, a campanha da ACIAJA arrecadou
apenas aproximadamente R$ 50 mil reais.
A campanha é baseada na doação de um percentual do ICMS, que as
empresas poderiam oferecer para reconstrução do clube, ao invés de
destinar todo valor do imposto devido ao governo, isto dentro da lei.
Contudo como muitas empresas por força de contabilidade, fazem uma
compensação entre o crédito e o débito, que tem com a receita, o valor
arrecadado ainda não é o suficiente para a totalidade das obras.
O site crônica e arte apurou também que esta é uma campanha
praticamente solitária, (e assim me refiro porque não posso desprezar as
empresas que fizeram a doação). Infelizmente nossa população e aqui, não
falo este ou aquele, mas a grande parte da população jaboticabalense,
tirando raríssimas exceções, pouco se interessa pelo patrimônio histórico e
cultural que a cidade ainda tem.
Muitos casarões na cidade foram construídos pelo engenheiro e escritor
Euclides da Cunha, que além de casarões, realizou a estrada do Taboado,
que começava em Jaboticabal e que tinha como destino final, o estado de
Mato Grosso do Sul, na cidade de Aparecida do Taboado.
O início dessa estrada é hoje a rua comendador João Maricato no Bairro
Alto. O centro da cidade tinha toda uma estrutura baseada na arquitetura
do início do século XX, e do auge da produção cafeeira.
Com o tempo e o descaso, inclusive de autoridades, queira no incentivo à
preservação do patrimônio, queira com falta de tombamentos, e muitas
vezes criando uma confusão entre tombamento e desapropriação, fez com
que a cidade perdesse gradualmente esta arquitetura histórica e com ela,
dinheiro.
Na preservação de patrimônio existem incentivos fiscais, e empréstimos
com linha especial de juros, mas não só isto. Uma arquitetura preservada
atrai turismo, que bem gerenciado, traz dividendos para a cidade.
Mas dia a dia a cidade continua o seu ritmo e nada ou quase nada se faz
pelo patrimônio que restou, tirando o trabalho solitário de alguns
abnegados e teimosos historiadores e professores, além de mais algumas
pessoas, que gostam em preservar a memória da cidade, mas em geral,
quase nada se faz.
Jaboticabal perdeu além de muitos casarões, o estádio do Jaboticabal
Atlético, com a sua cobertura em etilo do início do século XX e o próprio
prédio do tiro de guerra está escorado em algumas partes, para não cair.
Há aproximadamente um ano este prédio do Tiro de Guerra, de um estilo
da década de 40 do século XX, espera reformas e nada.... Nada! O próprio
museu aqui, o antigo palácio da Turca, não está bem conservado.
Os dois prédios do centro, o Club Jaboticabal e a o prédio da escola Bento
Vieira, que citei antes são um símbolo, mas você leitor que lê este artigo
até este ponto, é a única esperança para que o patrimônio histórico da
cidade, que ainda restou seja mantido. É urgente e necessário que se crie
em prol desses patrimônios, um trabalho que preserve o que restou,
ampliando e apoiando as iniciativas quer já existem. É necessário e
imperioso exigir que as autoridades do município também participem desta
preservação.
É necessário evitar, guardada as devidas proporções, que uma tragédia
anunciada, como a do Rio de Janeiro ocorra aqui na cidade.
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