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BRASIL DIANTE DE UMA CRISE INSTITUCIONAL E DE
UM DESAFIO DE RESPONSABILIDADE PÚBLICA
Mentore Conti MTB 0080415 SP
Fotos: Agência Brasil
Jaboticabal, 16 de setembro de 2026
O STF (Supremo
Tribunal Federal)
realizou uma
audiência nesta
terça-feira, dia 15 de
setembro, com início
às 10 horas, sobre a
questão do Banco
Master e o
envolvimento direto
ou indireto de autoridades da República. Também se
discutiu a publicidade dada pelo ministro André Mendonça
de gravações atribuídas ao banqueiro Vorcaro e Alexandre
de Moraes.
O que esperar de tudo isto? Esta é a pergunta que muitos
brasileiros de bem fazem em uma hora desta. Acredito que
o mais importante é que esses brasileiros de bem, que
levantam todos os dias para trabalhar, saibam que não é
em um passe de mágica que vai se resolver este imbróglio.
Esta questão ficou pendente pela abertura de um
procedimento que, segundo o ministro Flávio Dino e com
toda razão, não encontra respaldo em nossas leis. Um
inquérito policial não pode ser instaurado de ofício, mas
sim pelo Ministério Público. No caso, por um representante
da Procuradoria-Geral da República.
Como um Supremo Tribunal Federal não respeita uma lei
federal, um Código de Processo Penal, é incompreensível.
A linha de raciocínio de Flávio Dino foi a linha adotada pela
Suprema Corte italiana para negar a extradição da ex-
deputada Zambelli.
Não se pode admitir, no direito
contemporâneo, que qualquer
princípio adotado pela doutrina penal
que deriva da linha do Direito francês
e italiano seja desvirtuado. Esta
moderna linha do Direito Penal veio
do desenvolvimento na chamada
Escola Clássica do Direito Penal,
tendo em Francesco Carrara um de
seus principais sistematizadores.
Para Carrara, o crime deveria ser
compreendido essencialmente como
um ente jurídico, submetido à lei e
relacionado à responsabilidade
individual. Na França, o processo de
codificação promovido durante o período napoleônico
também representou um marco nessa transformação.
Embora o chamado Código Napoleônico seja propriamente
o Código Civil de 1804, a matéria penal foi disciplinada
pelo Código Penal francês de 1810, que consolidou a
importância da lei escrita, da classificação das infrações e
da organização sistemática do poder punitivo estatal.
O percurso que vai de
Beccaria, Pietro Verri e Carrara
às codificações do período
napoleônico representa,
portanto, uma profunda
mudança na concepção do
Direito Penal. O poder de
punir, antes sujeito a amplas
margens de arbítrio e a penas
extremamente severas,
passou progressivamente a
encontrar limites na lei e em
princípios jurídicos.
O Direito Penal
contemporâneo acrescentou a
essa tradição a proteção dos
direitos fundamentais, a culpabilidade, a individualização e
a proporcionalidade da pena, além da preocupação com a
prevenção do crime e com a proteção da própria
sociedade. A mudança fundamental está justamente na
passagem de um sistema centrado predominantemente no
poder de punir para um sistema no qual também se
procura limitar esse poder e proteger o indivíduo diante do
Estado.
Essas questões não são estranhas ao debate desenvolvido
pelo Jornal Crônica e Arte. Na coluna “A SOCIEDADE EM
CONFLITO — VIOLÊNCIA, LEI E COMPORTAMENTO”, o
colunista do jornal, advogado Flaviano Rodrigues,
especialista em Direito
Penal e Processual Penal,
já tratou de questões
relacionadas à violência, à
lei, ao comportamento
humano e aos limites da
atuação do sistema penal.
A reflexão proposta pela
coluna insere-se, assim,
em uma discussão que
atravessa séculos:
compreender por que a
sociedade pune, quais são
os limites desse poder e
de que maneira o Direito
pode conciliar a proteção
social com as garantias fundamentais do indivíduo.
Assim, por mais horrenda e hedionda a atitude de um
indivíduo que afronta a sociedade e suas regras, é
necessário respeitar-se a linha que expõe a coluna deste
jornal e o colunista, advogado Flaviano Rodrigues. Esta
linha de pensamento que indignou o ministro Flávio Dino,
exposta na sessão de hoje, deveria ser a seguida pelo STF
nesta hora tão difícil da nação, como ponderava o Dr.
Waldemar Dória Neto, outro colunista do Jornal Crônica e
Arte, e eu.
O erro cometido pela presidência do STF hoje,
provavelmente, deriva da improvisação do modo de vida
neste país, improvisação que não deveria existir, mas que
é uma realidade deste nosso período colonial.
Na realidade, nós devemos entender que o país só se
afastará destes erros e desta improvisação em cima da lei
e só começará a mudar quando uma atitude começar a ser
tomada por uma parte de brasileiros que segue esta má
conduta de improvisação na administração do país e na
aplicação das leis. Estes brasileiros devem aprender que
cada cidadão deve ter vergonha na cara.
Hoje, infelizmente,
os brasileiros
trabalhadores e
honestos são
motivo de chacota,
são chamados e
tratados como
ingênuos. O que
vemos em nosso
dia a dia é um
grupo de gente,
não somente em Brasília ou nas capitais, mas em várias
cidades do país, mesmo aqui da região, que quer se dar
bem a todo custo; gente que se arranchou em cargos
públicos e não sai deles, como um marisco agarrado na
pedra.
Contudo, é um tipo de gente que, sem respeito nenhum ao
cargo que ocupa, sem respeito nenhum ao brasileiro
trabalhador, vai solapando tudo que é público em prol do
particular, repetindo a constatação que já fazia o frei
Vicente de Salvador, em 1627, quando dizia que nenhum
homem nessa terra era “republico” e que tudo que era
público era solapado e passado à mão de particular.
O que vemos são UPAs em todas as cidades aqui da
região com poucos funcionários, poucos equipamentos
médicos e que, apesar da boa vontade de funcionários e
de médicos, nada pode ser feito por uma população que
muitas vezes morre na fila.
Enquanto isso, autoridades mancomunadas com
criminosos continuam dilapidando esta nação, este estado
e muitas de nossas cidades.
Se o princípio de ter vergonha na cara se alastrasse, nós
não teríamos uma carga tributária tão pesada para
carregar em um país onde muitos estados e cidades não
atendem a população como deveriam atender.
Onde está o pensamento do Almirante Barroso, que lutou
na Guerra do Paraguai, de que o Brasil espera que cada
um cumpra o seu dever?
Onde está o respeito ao Duque de Caxias, que defendeu o
país dos paraguaios durante a guerra de 1864 a 1870, e o
respeito aos brasileiros que morreram durante esse
período?
Onde está o respeito ao brasileiro que trabalha dia e noite
e é honesto?
Será que é tão difícil respeitar o cargo que ocupa?
Mais uma vez, eu não me refiro aqui a este ou aquele
ocupante de um cargo público, mas a todos aqueles que,
devendo cumprir o seu dever e devendo ter vergonha na
cara, assim não se comportam.
Até quando um país de oito milhões e 500 mil quilômetros
quadrados de terra, com toda a fertilidade que tem, todo o
minério que tem e o povo hospitaleiro que tem, continuará
passando por essas dificuldades e por esses problemas
por causa de maus brasileiros que querem se arranchar e
que visam apenas encher os bolsos, ainda que isso custe o
crédito e a unidade da nação, o crédito e a unidade de uma
cidade e a posição de uma cidade na região em que ela
está?
Até quando nós vamos ver pessoas ocupantes de cargos
públicos — não todos, felizmente, mas muitos — que se
comportam como as almas do Inferno de Dante, onde,
segundo o poeta Dante Alighieri, ali estavam almas que
não eram boas e não mereciam o Paraíso, e que o Inferno
era glória demais para elas?
Almas como essas, o próprio Dante Alighieri diz que são
tão ruins que não mudariam jamais de atitude e que delas
nós devemos apenas olhar e passar.
Cabe a cada brasileiro de bem exigir que a cidade
funcione, que o estado funcione e que o país funcione em
prol de um bem público.
O que eu vejo, infelizmente, é que foi divulgada a ideia de
que as pessoas têm que ser radicais e brigar com quem é
de pensamento diverso. Infelizmente, esse tipo de
comportamento, incentivado por maus políticos, divide a
população e impede que a população trabalhe em prol do
Brasil, em prol do estado e em prol da sua própria cidade.
Portanto, a cada brasileiro cabe a ideia de se unir, trabalhar
em conjunto para reconstruir essa nação e evitar que maus
brasileiros destruam uma nação que foi erguida de uma
floresta e que é uma nação hospitaleira e rica.
A divisão do povo favorece os corruptos; portanto, é
necessário mudar esse comportamento e entender que
adversário político não é inimigo: é apenas um outro
brasileiro que tem um outro tipo de pensamento.
Nós não podemos fazer com que o Brasil continue em uma
situação calamitosa como essa. O próprio Napoleão
Bonaparte, falando sobre os malefícios que podem vir das
ideologias, dizia claramente que elas só servem para a
divisão de um povo e para impedir que o país evolua, como
ele expressou em 1800.
As ideologias devem e podem existir, mas não devem ser
anacrônicas como se faz aqui no Brasil. Mesmo depois de
37 anos da queda do Muro de Berlim, em 1989, quando as
ideologias mudaram completamente de sentido e deixaram
de ter a mesma noção que tinham durante a Guerra Fria, o
Brasil continua insistindo em falar em direita e esquerda
como se aquela Guerra Fria ainda existisse.
Pode até ser que, por tradição, as palavras “esquerda” e
“direita” sejam usadas, mas não têm mais aquele sentido
que tinham em dita Guerra Fria, que durou de 1947 a 1989.
Portanto, é o caso, mais uma vez, de lembrar que o
pensamento que deve imperar é aquele de que o brasileiro,
como todo brasileiro de bem, tem que ter vergonha na
cara. Isso já resolveria grande parte dos nossos
problemas, evitaria estes erros do Judiciário que temos
visto cotidianamente e evitaria que muitos prefeitos
assaltassem as prefeituras como têm assaltado — não vou
dizer esta ou aquela prefeitura, porque são inúmeras as
prefeituras com prefeitos problemáticos, nos mais de 5.000
municípios que o Brasil tem.
Milagre eucaristico de
Lanciano
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