CRONICA E ARTE CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email
cronicaearte@cronicaearte.com.br Rua São João, 869, 14882-010 Jaboticabal SP
O FEMINICÍDIO: UM FENOMENO TRÁGICO EM NOSSA
SOCIEDADE DE HOJE
Mentore Conti Mtb 0080415 SP foto Agencia Brasil
Divulgação
Jaboticabal, 28 de dezembro de 2025
O feminicídio segue
como uma das formas
mais extremas e
devastadoras da
violência de gênero no
Brasil. Em 2025, o
problema assumiu
contornos ainda mais
graves no estado de
São Paulo,
especialmente no interior, onde cidades médias e
pequenas passaram a registrar uma escalada de casos que
expõem fragilidades estruturais, culturais e institucionais.
A morte de mulheres pelo simples fato de serem mulheres
não é um fenômeno isolado, mas o desfecho de ciclos
prolongados de violência doméstica, psicológica e
simbólica.
Nas regiões de Ribeirão Preto, São José do Rio Preto,
Araraquara e Jaboticabal, os dados de 2025 revelam um
quadro preocupante: feminicídios consumados, tentativas
em crescimento e reincidência de agressores já conhecidos
do sistema policial. Este artigo analisa os números de 2025
nessas localidades e propõe uma leitura ética e filosófica
inspirada no pensamento de Fiódor Dostoiévski, para quem
o coração humano é um campo de batalha entre Deus e o
demônio — e, na ausência de uma referência moral, toda
perversão se torna possível.
Panorama Estadual: São Paulo em 2025
Em 2025, o estado de São Paulo atingiu um dos maiores
patamares de feminicídio desde a tipificação do crime, com
mais de 220 casos registrados até dezembro, segundo
dados consolidados da Secretaria de Segurança Pública.
Desses, mais da
metade ocorreu no
interior, confirmando
uma tendência de
interiorização da
violência letal contra
mulheres.
O dado mais alarmante
não está apenas nos
homicídios
consumados, mas no crescimento expressivo das
tentativas de feminicídio, que em 2025 ultrapassaram 1.200
ocorrências no estado, indicando que milhares de mulheres
estiveram à beira da morte. Em muitos casos, as vítimas
possuíam medidas protetivas ou já haviam registrado
boletins de ocorrência, o que evidencia falhas na
prevenção e no acompanhamento dos casos.
Região de São José do Rio Preto em 2025
A região administrativa de São José do Rio Preto
apresentou em 2025 18 feminicídios consumados, número
que supera o já elevado índice de 2024. Somente no
município-sede foram 7 mortes, enquanto os demais casos
se distribuíram por cidades do entorno.
Além disso, a região contabilizou mais de 90 tentativas de
feminicídio ao longo do ano, muitas delas envolvendo
parceiros ou ex-companheiros, com uso de facas, armas de
fogo ou asfixia. O perfil dos crimes revela padrões
recorrentes: crimes cometidos dentro da residência da
vítima, histórico de violência doméstica e motivação ligada
ao controle e à posse.
Rio Preto consolida-se, em 2025, como uma das regiões
mais críticas do interior paulista no que diz respeito à
violência letal contra mulheres.
Região de Ribeirão Preto em 2025
A região de Ribeirão Preto, abrangida pelo Deinter 3,
registrou em 2025 11 feminicídios consumados, número
superior ao de 2024. O dado mais expressivo, contudo,
está nas tentativas, que chegaram a mais de 70 casos no
ano, confirmando uma curva ascendente da violência
extrema.
Ribeirão Preto, como polo regional, concentra casos
emblemáticos que expõem falhas no sistema de proteção:
mulheres assassinadas mesmo após denúncias,
descumprimento de medidas protetivas e reincidência de
agressores. O feminicídio, em 2025, deixa de ser exceção
e passa a se apresentar como um risco concreto para
mulheres em situação de vulnerabilidade contínua.
Araraquara em 2025
O município de Araraquara contabilizou em 2025 4
feminicídios consumados, além de diversas tentativas,
algumas com extrema violência. Embora os números
absolutos sejam menores em comparação a grandes polos
regionais, a proporção é significativa para o tamanho da
cidade.
Casos registrados em Araraquara ao longo de 2025
revelam o mesmo padrão observado em outras regiões:
crimes cometidos por companheiros ou ex-companheiros,
em contexto de separação, ciúmes ou inconformismo com
o fim do relacionamento. A cidade reflete a face silenciosa
do feminicídio em centros médios, onde a proximidade
social muitas vezes dificulta a denúncia e a ruptura dos
ciclos de violência.
Jaboticabal: Violência Invisibilizada em 2025
Em Jaboticabal, cidade
de porte médio da
região de Ribeirão
Preto, 2025 foi
marcado por ao menos
1 feminicídio
consumado e múltiplas
ocorrências de
violência doméstica
grave, incluindo
tentativas de homicídio
contra mulheres.
Embora os números absolutos sejam menores, Jaboticabal
exemplifica um problema recorrente no interior paulista: a
subnotificação e a invisibilização estatística. Em cidades
menores, muitos casos não chegam a ser enquadrados
formalmente como
feminicídio de
imediato, seja por
falhas investigativas,
seja por resistência
cultural em
reconhecer o crime
como violência de
gênero.
Comparação
Regional dos Dados
de 2025
Feminicídios Consumados e Tentativas (2025)
Região
São José do Rio Preto: Consumado 18 Tentado +90;
Ribeirão Preto: Consumado 11 Tentado +70;
Araraquara Consumado 4 Tentado Dezenas
Jaboticabal 2 Casos recorrentes
A comparação revela que o feminicídio não é um fenômeno
restrito a grandes centros. Pelo contrário, ele se espalha
por todo o interior paulista, assumindo diferentes escalas,
mas mantendo a mesma raiz estrutural.
Dostoiévski e o Coração Humano como Campo de Batalha
A reflexão de Dostoiévski, segundo a qual “na ausência de
Deus, tudo é permitido”, não deve ser lida apenas em
sentido religioso, mas como uma advertência ética. Quando
valores fundamentais — como dignidade, empatia e
respeito à vida — são corroídos, o ser humano torna-se
capaz das piores perversões.
O feminicídio, nesse sentido, não nasce apenas do impulso
individual, mas de um ambiente moral permissivo, onde a
violência contra a mulher é relativizada, naturalizada ou
invisibilizada. O coração humano, esse campo de batalha
entre o bem e o mal, inclina-se à destruição quando o outro
deixa de ser reconhecido como sujeito pleno de direitos.
Políticas Públicas e Limites em 2025
Em 2025, o estado ampliou delegacias especializadas,
cabines de atendimento humanizado e campanhas
educativas. No entanto, os números demonstram que
essas ações ainda são insuficientes diante da
complexidade do problema. A prevenção falha quando não
há acompanhamento efetivo, proteção real às vítimas e
responsabilização rápida dos agressores.
Conclusão
Os dados de 2025 confirmam que o feminicídio no interior
paulista — incluindo Ribeirão Preto, São José do Rio Preto,
Araraquara e Jaboticabal — é uma tragédia contínua e
estrutural. Mais do que estatísticas, cada número
representa uma vida interrompida e uma falência coletiva.
À luz de Dostoiévski, combater o feminicídio exige mais do
que leis: exige uma reconstrução ética, cultural e social
profunda. Enquanto o coração humano continuar a tolerar a
desumanização do outro, o campo de batalha seguirá
produzindo vítimas.
Para facilitar a leitura use o celular na hotizontal